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Aumenta pressão sobre Carabineiros, reiteradamente acusados de brutalidade

Quase um ano depois do início da revolta popular contra o modelo económico e social «pinochetista» no Chile, mantém-se a brutalidade dos Carabineiros. Agentes e chefias estão envolvidos em vários processos.

Estudo de organização chilena encontrou agentes de gás pimenta e soda cáustica nos jactos de água lançados pelos Carabineiros sobre a população nas manifestações contra Piñera
O Instituto Nacional de Direitos Humanos apresentou 2499 queixas contra agentes do Estado – na sua maioria carabineiros – pela sua actuação em manifestações desde Outubro de 2019; 169 por traumas oculares Créditos / ohmygeek.net

As manifestações contra a pobreza, em defesa da igualdade, pela libertação dos «presos políticos da revolta», contra o «pinochetismo» e a brutalidade policial sucedem-se no Chile. Nos protestos desta segunda-feira, em Santiago e em várias outras cidades, os manifestantes voltaram a ser reprimidos com jactos de água e gás lacrimogéneo. Houve confrontos, barricadas nas ruas e pelo menos 20 pessoas foram detidas, segundo refere a Radio Biobío.

A temperatura subiu ainda mais de sexta-feira para cá, depois de, no meio de uma manifestação em Santiago, um adolescente de 16 anos ter sido atirado por um carabineiro de uma ponte abaixo, para o Rio Mapocho, ficando gravemente ferido.

Embora o corpo policial ainda tenha tentado a versão do «desequilibrou-se», as gravações de telemóvel mostraram bem o empurrão e o agente, que foi colocado em prisão preventiva enquanto durar a investigação.

Mas nem a actuação rápida do Ministério Público impediu o furacão de recomeçar a girar. Desde o início da «revolta», há um ano, esta força policial foi acusada de misturar produtos tóxicos nos jactos de água, foi acusada de múltiplas e reiteradas violações de direitos humanos, e apelidada de «arranca-olhos».

Das 2499 queixas formuladas pelo Instituto Nacional de Direitos Humanos (INDH) contra agentes do Estado – na sua maioria carabineiros – pela sua actuação em manifestações desde Outubro de 2019, 169 correspondem a casos de traumas oculares.

Também relacionado com esta situação é o processo recentemente instaurado pela Procuradoria-Geral da República aos Carabineiros, na sequência de 457 denúncias anónimas e de organizações dos direitos humanos, revela a Prensa Latina, que inclui acusações contra sete generais da instituição policial referida.

Estes oficiais são responsabilizados administrativamente pela «extrema violência contra os manifestantes». Incorrem em sanções que vão de uma admoestação até à destituição, e os antecedentes podem, caso o Ministério Público assim o entenda, ser utilizados num processo penal.

Entretanto, subiram de tom as exigências de que o general Mario Rozas, director dos Carabineiros, se demita, e os partidos da oposição já anunciaram que vão apresentar uma acusação constitucional contra o ministro do Interior, Víctor Pérez, pelas responsabilidades que detém nas acções da instituição policial.

Camilo Catrillanca, entre outros processos

Existem pelo menos três julgamentos que envolvem carabineiros – por violência, violação dos direitos humanos, fraude, entre outros aspectos. Um deles diz respeito ao assassinato do jovem mapuche Camilo Catrillanca, perpetrado a 14 de Novembro de 2018, na Araucânia, por agentes do Grupo de Operações Policiais Especiais (GOPE) dos Carabineiros.


Quando uma comissão especial revelou que os envolvidos, incluindo chefias, tentaram obstruir as investigações, dezenas de oficiais foram destituídos ou pediram a demissão – entre eles o então director da instituição, general Hermes Soto.

A Câmara dos Deputados aprovou a investigação levada a cabo, cujas conclusões estabeleceram que os Carabineiros são os responsáveis directos pelo assassinato de Catrillanca e que as responsabilidades políticas couberam ao então ministro do Interior, Andrés Chadwick, e ao governo de Sebastián Piñera.

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