«É com profundo pesar e consternação que a família e agência de Jorge Palma informam a sua morte, ocorrida esta segunda-feira à noite, aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória», anunciou a família do músico, numa mensagem partilhada nas redes sociais.
Com uma profunda consciência social, o autor de temas como Frágil, Bairro do Amor, Estrela do Mar, Na terra dos sonhos, Deixa-me rir e A gente vai continuar foi homenageado em Abril deste ano com o Prémio Carreira nos prémios Play, onde reiterou a exigência de haver um maior investimento no sector da Cultura. De cravo vermelho ao peito, Jorge Palma apelou ao combate contra o recrudescimento do fascismo e pediu para não se deixe que o 25 de Abril se torne «uma memória distante, uma imagem a desvanecer-se lá longe». «Temos de reinventar o espírito de Abril, sempre. Liberdade, justiça, democracia. Malta, mãos à obra, vamos fazer deste país uma coisa que merece ser melhor. Viva o 25 de Abril, viva a liberdade, viva a democracia!», disse Jorge Palma, sem esquecer os profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), a quem deixou um agradecimento.
Embora a carreira de Jorge Palma comece a ser contada em 1972, ano em que gravou o primeiro single em nome próprio, The Nine Billion Names of God, o percurso na música começou oito anos antes, aos 14 anos, quando abandonou a música clássica para se dedicar ao pop-rock. Antes de se apresentar em nome próprio, Palma fez parte do grupo Sindicato, que tocou na primeira edição do festival de Vilar de Mouros, em 1971, e dos Black Boys.
Na mesma época, começou a trabalhar em composição, orquestração e gravação. Pouco depois de editar o primeiro single, é convocado para o serviço militar mas recusa-se a combater na Guerra Colonial e exila-se na Dinamarca.
Em 1974 regressa a Portugal, após a Revolução do 25 de Abril, começa a trabalhar como orquestrador e, no ano seguinte, edita o primeiro álbum, «Como uma viagem na palma da mão».
Depois gravou mais 13 álbuns de originais, e «cada um corresponde a um momento» da vida de Jorge Palma. «Com quem me dava, com quem vivia, o tipo de vida que levava, o que ouvia e lia, tudo isso torna cada disco único», disse à Lusa numa entrevista em 2022.
Na década de 1980, de volta a Lisboa, retoma os estudos de piano no conservatório, que terminou em 1990. Logo a seguir grava «Só», editado em 1991, a primeira colectânea de carreira de Jorge Palma, na qual revisita, apenas ao piano, canções dos discos das duas décadas anteriores.
Na década de 1990 avançou com o Palma's Gang (banda com Zé Pedro e Kalu, dos Xutos & Pontapés, e Flak e Alex Cortez dos Rádio Macau), fez música para teatro, esteve no grupo Rio Grande, compôs para outros, até editar um novo álbum de originais, «É proibido fumar», em 2001.
Seguiram-se «Norte» (2004), «Voo nocturno» (2007) e «Com todo o respeito» (2011). O álbum mais recente, e o último, «Vida», foi editado em 2023. Em Maio do ano passado estreou o espectáculo «3 palmas na mão», no qual se apresentava em palco com os dois filhos, Vicente Palma, nascido em 1983 e que integra a banda que acompanhava o pai há cerca de 20 anos, e Francisco Palma, nascido em 1995.
Jorge Palma venceu o Prémio José Afonso, em 2002, com «Jorge Palma», e a primeira edição do Prémio Pedro Osório, da Sociedade Portuguesa de Autores, em 2012, com o álbum «Com todo o respeito». Em 2020, Jorge Palma foi distinguido com a medalha de mérito cultural da Câmara Municipal de Lisboa, no final de um concerto de celebração dos seus 70 anos, e foi condecorado como comendador da Ordem do Infante D. Henrique.
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