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Documentadas mais de 5300 violações israelitas ao «cessar-fogo» em Gaza

Desde que o chamado «cessar-fogo» entrou em vigor, a 10 de Outubro do ano passado, a ocupação cometeu 5304 violações, ignorando por completo as suas obrigações, denunciaram fontes palestinianas.

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No espaço de um ano, Israel violou de forma sistemática o acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza (imagem de arquivo) Créditos / Wafa

«O que Gaza sofreu no último ano não tem qualquer semelhança com o cumprimento de um cessar-fogo. Pelo contrário, foi marcado pela destruição sistemática de vidas e por acções calculadas que agravaram a crise humanitária», declarou o director-geral do Gabinete de Imprensa do Governo em Gaza, Ismail al-Thawabta, esta terça-feira.

Com base na monitorização governamental, Thawabta revelou a dimensão das violações militares e de segurança cometidas contra o acordo, afirmando que Israel não mostrou qualquer respeito pelos termos do cessar-fogo ou pelas vidas de civis e, em vez disso, utilizou o acordo como pretexto para realizar mais ataques.

Em declarações à imprensa, o responsável afirmou que foram documentadas 5304 violações israelitas ao acordo de cessar-fogo ao longo do último ano, no âmbito das quais foram mortos 1460 palestinianos, 5116 ficaram feridos e 202 foram sequestrados.

Citado pelo portal palinfo.com, Thawabta refutou ainda as alegações israelitas de que estaria a ser facilitada a entrada de ajuda humanitária e materiais de reconstrução na Faixa de Gaza, e acusou as forças de ocupação de usarem a fome como uma arma diária contra a população.

«Apenas 74 283 camiões com ajuda foram autorizados a entrar em Gaza, num total de 214 800 camiões cuja entrada estava programada e prevista no acordo, o que reflecte uma taxa de cumprimento inferior a 35%», explicou o responsável.

Acrescentou que Israel impôs restricções rigorosas à liberdade de circulação, permitindo apenas a saída de 14 012 pessoas de Gaza, quando, no âmbito do acordo, deveriam ter saído 36 mil.

Neste sentido, exortou o mundo, as Nações Unidas e organismos internacionais a actuarem de imediato, a quebrarem o silêncio e a exercerem uma pressão que seja decisiva para salvar a população na Faixa de Gaza.

Israel alarga a acusação de «incitamento» contra os palestinianos

A Sociedade de Presos Palestinianos (SPP) alertou que as autoridades da ocupação israelitas continuam a alargar o âmbito daquilo que classificam como «incitamento», transformando-a num instrumento mais amplo «de controlo, vigilância e perseguição», refere a Wafa. 

Com isto, visam indivíduos, instituições e espaços onde a consciência palestiniana é moldada, sobretudo no que diz respeito a questões como «presos, mártires, símbolos nacionais e memória colectiva».

O alerta segue-se à detenção recente de um director de uma escola em al-Eizariya e à demolição de um memorial aos mártires na Universidade de Birzeit, na segunda-feira.

Em comunicado, a SPP afirmou que ambos os incidentes, na Cisjordânia ocupada, reflectem uma política mais ampla que visa espaços onde a consciência palestiniana é formada e onde a memória de prisioneiros, mártires e símbolos nacionais é preservada e transmitida às novas gerações.

O organismo sublinhou que os processos judiciais relacionados com a acusação de «incitamento» já não se limitam a publicações nas redes sociais ou a declarações pessoais, abrangendo agora conteúdos educativos e símbolos no interior das instituições, o que coloca as escolas e as universidades sob ameaça directa de punição.

Desta forma, alertou, o próprio ambiente educativo torna-se um alvo, por via da criminalização da presença de questões nacionais palestinianas em materiais escolares, símbolos ou debates, e tanto indivíduos como instituições estão sob ameaça constante, levando a que os palestinianos controlem os seus próprios discursos, actividades e materiais de ensino.

O organismo notou ainda que, desde o início do genocídio perpetrado por Israel, as detenções realizadas com base em alegações de «incitamento» por parte da ocupação registaram um aumento acentuado.

Tais detenções, explicou o organismo, visaram cidadãos, ex-reclusos, estudantes, mulheres e crianças, muitas vezes devido a publicações nas redes sociais, a manifestações ou posições relacionadas com acontecimentos recentes ou em curso.

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