O Parque de Campismo da Galé, onde moravam cerca de 500 pessoas, era um entrave à expansão do projecto Costa Terra, que pretende instalar «204 moradias, 3 aparthotéis com 560 camas, 4 aldeamentos turísticos com 775 camas, 4 conjuntos de apartamentos turísticos com 823 camas, uma estalagem com 40 camas e um campo de golfe de 18 buracos, além de vários equipamentos complementares na linha litoral de Grândola».
A expectativas destes fundos é vender os lotes por um preço mínimo de mais de três milhões de euros. Em 2021, o parque foi comprado por 25 milhões de euros pelo fundo norte-americano Discovery Land Company, que assumiu todo o projecto Costa Terra. Nessa altura, António Figueira Mendes, presidente da Câmara Municipal de Grândola (CMG), exigiu que o acesso à praia da Galé se mantivesse aberto ao público, independentemente dos interesses privados.
O primeiro passo no processo da Costa Terra foi iniciado em 2006, com o aval do despacho conjunto do Ministério da Economia e do Ambiente do Governo XVII do PS, de José Sócrates.
As propostas apresentadas pelo PCP, BE e Livre na Assembleia da República, a 17 de Maio de 2024, no sentido de salvaguardar o interesse público na praia da Galé e que o Governo salvaguarde o funcionamento do parque de campismo nos seus moldes actuais, foram chumbadas pelo PS, PSD, CDS-PP e IL.
Os comunistas defendem que «o desenvolvimento turístico deve acontecer de forma integrada e harmoniosa, que inclua a acessibilidade, a fruição e o lazer para as populações, valorizando a qualidade ambiental, paisagística e natural, salvaguardando o acesso da população às zonas balneares». No seu projecto, o BE considera a operação imobiliária em curso no concelho é «mais um exemplo de como a pressão turística de luxo está a privatizar e a elitizar zonas costeiras privilegiadas que sempre foram de usufruto popular».
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