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|Porto Rico

EUA «querem derrotar Cuba e a solidariedade», alertam em Porto Rico

A Brigada Juan Rius Rivera, em Porto Rico, está habituada a lidar com os desafios das viagens a Cuba e prepara já a 35.ª jornada solidária com a Ilha, no contexto das restrições impostas por Trump.
Brigada Juan Rius Rivera (imagem de arquivo) Créditos / cadenagramonte.cu

Em declarações ao periódico Claridad, a coordenadora da Brigada e do Comité de Solidariedade com Cuba em Porto Rico, Milagros Rivera, alertou para a necessidade de estarem preparados «para uma campanha bastante dura».

Também deixou claro que o recrudescimento das restrições impostas pelo presidente norte-americano não vai impedir a realização da viagem solidária número 35 (no próximo ano), nem fazer abrandar o trabalho de apoio a Cuba.

«A Brigada viajou sempre em desafio. A certa altura, Bush, presidente, proibiu todas as viagens a Cuba, e então a brigada decidiu ir de barco para Cuba», recordou Rivera, que destacou o facto de, nesse ano (2004), amigos da República Dominicana os terem ajudado a fazer a viagem.

Sobre o memorando recente firmado por Trump, que proíbe as viagens de turistas norte-americanos a Cuba, a activista esclareceu que visa intensificar proibições que já estavam estabelecidas.

«O turismo como tal já está proibido. O que agora se acrescenta é um importante elemento de perseguição contra aqueles que se deslocam a Cuba», indicou, mas frisando que os que «vão apoiar o povo cubano têm autorização para viajar». Em seu entender, esta é a forma de os EUA promoverem as viagens a Cuba que têm como propósito subverter a ordem interna do país.

O CSC sempre desafiou as proibições

Porto Rico continua sob domínio colonial dos EUA e, nesse contexto, os membros da Brigada Juan Rius Rivera, que há mais de três décadas mantém o apoio firme à Ilha, foram alvo de perseguição federal norte-americana em várias ocasiões.

A coordenadora do CSC e da Brigada reconheceu que ainda é preciso fazer uma análise cuidada às consequências do memorando que Donald Trump assinou recentemente, mas deixou claro que a solidariedade com Cuba não vai parar por causa dele.

«Aquilo que posso garantir é que, cada vez que houve proibições, o CSC as desafiou e procurou uma forma de chegar a Cuba – e a Brigada 35 não vai ser uma excepção», disse Milagros Rivera.

Outro aspecto abordado pela activista foi a questão de, este ano, a Brigada Juan Rius Rivera não ter sido realizada no Verão, como é habitual, mas em Abril.

Rivera disse que isso se ficou a dever ao facto de terem querido celebrar em Cuba os 50 anos da derrota dos norte-americanos no Vietname, mas explicou que também já existiam preocupações com aquilo que Trump pudesse decretar – nomeadamente quanto à inclusão de Cuba na lista de países que alegadamente patrocinam o terrorismo ou às restrições de viajar.

«Tínhamos a preocupação de voltar a viajar no Verão, quando as restrições foram impostas, e sabíamos que precisávamos de mais tempo para ver como as enfrentamos», disse Rivera, que destacou o trabalho realizado pela Brigada em Abril, a participação nas celebrações da vitória vietnamita e nas comemorações do Primeiro de Maio em Cuba.

Solidariedade com Cuba não se limita à Brigada

Ao Claridad, a dirigente solidária disse que, para além das brigadas anuais, o CSC participa noutras iniciativas de apoio à Ilha. Assim, a título de exemplo, referiu que, em Outubro próximo, uma delegação porto-riquenha irá estar na Cidade do México para o IX Encontro Continental de Solidariedade com Cuba.

Também destacou a participação do CSC na Maratona Mundial de Amor por Cuba, dinamizada pela Rede Continental de Solidariedade com Cuba e as Causas Justas Latino-americanas e Caribenhas.

Rivera mostrou-se esperançada de que, no final deste ano, a campanha mundial, também com os pés firmes em África, na Europa e nos EUA, possa criar um dos maiores laços para avançar na «derrota do bloqueio, definitivamente e na prática».

Insistindo nas medidas de Trump, a dirigente solidária sublinhou que «não vão parar a solidariedade com Cuba». Ainda assim, destacou a necessidade de estarem alerta e preparados «para uma campanha bastante dura» porque «eles querem derrotar Cuba e a solidariedade».

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