A Casa das Histórias Paula Rego1 acolhe a exposição «Bartolomeu Cid dos Santos: Criar em Liberdade», no âmbito do ciclo de exposições temporárias dedicado a artistas cujas trajetórias se cruzaram com a de Paula Rego. Esta exposição é apresentada pela Fundação D. Luís I, tem a curadoria de Catarina Alfaro e Leonor de Oliveira e pode ser visitada até 18 de outubro de 2026.
A exposição organiza-se em quatro núcleos, que atravessam várias fases do seu trabalho, desde as primeiras experiências em Londres, em constante diálogo com Portugal sob o regime do Estado Novo até às obras que a partir de 1961 explora a relação entre guerra, repressão e colonialismo, nas séries mais recentes, do início dos anos 2000, Bartolomeu explora o símbolo do poder autoritário e do neoliberalismo e ainda por último onde se cruzam referências literárias, políticas e sociais.
No texto da exposição registamos que «ao longo da mostra, evidencia-se uma prática artística marcada pela utilização da arte como forma de reflexão crítica sobre o poder, a repressão e a liberdade, com referências a autores como Kafka e Borges, bem como à obra de Goya. A gravura surge, assim, como um instrumento de intervenção e de ligação entre o passado e a contemporaneidade».
Para melhor compreendermos o ambiente e a relação de proximidade e amizade que havia entre Bartolomeu Cid dos Santos (1931–2008) e outros artistas portugueses em Londres, recordamos um artigo do professor Hélder Macedo, onde faz referência à presença em Londres, em meados da década de 50 do Século XX, de João Cutileiro, Bartolomeu Cid dos Santos e da Paula Rego e que os três estavam simultaneamente na Slade School of Art, onde Bartolomeu viria a ser professor catedrático. Recorda ainda Hélder Macedo que, um pouco mais tarde, nos primeiros anos da década de setenta, Menez também foi para Londres, que Eduardo Batarda foi como bolseiro da Gulbenkian para o Royal College of Art e que nessa altura João Vieira também residia em Londres.
No âmbito das inaugurações simultâneas no Porto, a Galeria Serpente2 apresenta a exposição «POP NOW-Assemblages 2023-2025» do artista Pedro José Pradillo, que pode ser visitada até 31 de outubro.
Nesta nova exposição de Pedro José Pradillo «verificamos que mantém o seu interesse em objetos do quotidiano, descontextualizados e que passaram a ser elementos fundamentais para a composição de obras íntimas apresentadas como construção de um pensamento extremamente crítico da sociedade.
Obra de Bartolomeu Cid dos Santos, 20 Anos de Abril – Câmara Municipal de Grândola, 1994. Exposição de Gravura «Bartolomeu Cid dos Santos: Criar em
Liberdade» na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, até 18 de outubro
O autor restitui à sociedade de consumo, os objetos quotidianos, referências do mundo da publicidade que nos remetem para as nossas memórias e vivências de um passado recente ou longínquo, como assemblages e como ícones sagrados em composições dinâmicas e que nos remete para obras da vanguarda russa, como o construtivismo russo (1921 – 1932)», segundo texto do artista e curador independente José Rosinhas.
«Em todas as exposições, os trabalhos em papel de Pradillo, como obras claramente pop, têm causado sensação pela vivacidade renovada no novo suporte técnico e pela modernidade estética que, quase meio século após a sua criação, representam aqueles exercícios de adolescência. Estas colagens, agora revitalizadas pelo digital… Por isso, é mais do que admirável como, com tão poucos anos, Pradillo conseguiu tornar-se uma espécie de cronista da sua geração…», escreveu o crítico de arte José Miguel Muñoz Jiménez, por altura da exposição de uma série de colagens pop realizadas pelo artista nos finais da década de 70 do Século XX3.
Para este novo projeto artístico, agora apresentado, o artista refere «que não é outro senão olhar para aquelas primeiras obras POP que enfrentei entre 1977 e 1982, quando eu ainda era um menino cheio de ilusões que retratavam a realidade imediata e sonhava com um mundo novo e corajoso através de colagens de recortes de revistas e assemblagens de peças plásticas. Por essa razão, agora, no meu retorno a esse novo mundo admirável, surgiram peças em que a ingenuidade alterna com ironia, análise com reflexão, crítica com elogio».
A exposição de Fotografia «Wayback Machine» de José Bértolo pode agora ser visitada na Galeria da Casa da Cultura4, em Setúbal, até 18 de outubro. Esta exposição tem a curadoria de Mariana Castro.
Wayback Machine parte de um projeto fotográfico realizado entre 2022 e 2023. Ao longo de 365 dias, José Bértolo registou o seu quotidiano com uma máquina compacta, testemunha silenciosa, portátil e discreta o suficiente para viajar no bolso. Ao mesmo tempo que constitui um regresso ao projeto original, esta exposição dá corpo àquilo que o diário parecia negar: datas que faltam entre as datas registadas, a vida descontínua, o que se escolhe e o que se esquece, o falso prodígio da fotografia. À deriva, agora, entre o instinto preservador e a memória seletiva, cada dia pode ser o recomeço de outra coisa.
Exposição de fotografia «Wayback Machine» de José Bértolo na Galeria da Casa da Cultura, em Setúbal, até 18 de outubro
Créditos José BértoloJosé Bértolo é fotógrafo, docente e investigador na NOVA FCSH, nas áreas de Fotografia, Cinema e Literatura Comparada. No seu trabalho artístico, recorre à imagem fotográfica, em articulação, por vezes, com a palavra, como ferramenta para pensar o quotidiano e a experiência do tempo. O seu interesse por questões como a memória, a deambulação, a transitoriedade e a morte têm-no conduzido à forma do diário. Publicou os livros de fotografia Moraesu St. (2024) e Ano da Maria (2026), na Documenta.
A Galeria Municipal Jovem5, na Póvoa de Santa Iria, concelho de Vila Franca de Xira, recebe a exposição coletiva de desenho «Camadas e mais o quê?» reunindo obras das jovens artistas emergentes Filipa Alfama, Madalena Correia, Rita Ribeiro e Sandra Medeiros. Esta exposição pode ser visitada até 24 de outubro de 2026.
«A exposição propõe uma reflexão sobre o inconsciente através da sobreposição de camadas visuais e simbólicas, onde sombras, transparências e passagens se cruzam para revelar diferentes leituras da experiência humana. Cada obra convida o visitante a explorar emoções, pensamentos e narrativas que nem sempre encontram forma de se manifestar, permanecendo num espaço intermédio entre o que se revela e o que permanece oculto.
Recorrendo ao desenho, à escultura, à instalação e a outras linguagens contemporâneas, as quatro artistas apresentam diferentes perspetivas sobre a criação artística, estabelecendo um diálogo entre materialidade, memória, emoção e imaginação», segundo texto da exposição.
Exposição coletiva de desenho «Camadas e mais o quê?», na Galeria Municipal Jovem, na Póvoa de Santa Iria, Vila Franca de Xira, até 24 de outubro
Créditos Filipa AlfamaQuanto às jovens artistas, o referido texto revela-nos que Filipa Alfama (Lisboa, 1996) é licenciada em Arte Multimédia pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e desenvolve trabalho nas áreas da instalação e da escultura, explorando a relação entre o corpo, o espaço e o inconsciente; Madalena Correia (São Miguel, 1997), licenciada em Arte Multimédia – Performance e Instalação, integra projetos de instalação, fotografia, vídeo e performance nas suas obras, conciliando atualmente a prática artística com a produção audiovisual; Rita Ribeiro (Lisboa, 1995) é Ilustradora, motion designer e arte-terapeuta e a sua prática centra-se no desenho e na ilustração, cruzando narrativa visual, imaginação e exploração emocional e por último, Sandra Medeiros (Ilha de São Miguel, 1996), que apresenta o seu trabalho nas áreas da instalação, do desenho e da arte digital, recorre a diferentes linguagens visuais contemporâneas para explorar temas ligados à memória e à identidade.
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Casa das Histórias Paula Rego, Av. da República, 300 (Cascais). 15 de maio a 18 de outubro. terça-feira a domingo, 10h –18h.
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Galeria Serpente – Rua de Miguel Bombarda 558 Porto. Horário: quinta a sábado das 15h às 19h. Restantes dias por marcação (963653915; [email protected]).
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Muñoz Jiménez, José Miguel. «La serie de collages pop (1977-1980) de Pedro José Pradillo, o rendido ante el papel cuché.» Atrio. Revista de Historia del Arte, no. 28 (2022): 310-332. https://doi.org/10.46661/atrio.6833.
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Casa da Cultura - Rua Detrás da Guarda, 26 a 34 – Setúbal. Horário: domingo a quarta: 10h – 22h; quinta a sábado: 10h – 0h.
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Galeria Municipal Jovem – Palácio Quinta Municipal da Piedade - Avenida Dom Vicente Afonso Valente, 26 | 2625-215 Póvoa de Santa Iria. Horário: terça a sábado, 13h – 18h.
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