O Laboratório do Atlântico apresenta-se pela segunda vez no LAC – Laboratório de Actividades Criativas1, sediado em Lagos, com a exposição «Laboratório do Atlântico», onde além de permitir revisitar um encontro entre laboratórios podemos conhecer a obra de artistas que se cruzam com São Tomé e Príncipe como território de criação, memória e reflexão. Esta exposição decorre até 25 de julho de 2026.
A exposição que tem como curadores João Carlos Silva e Ricardo Barbosa Vicente reúne artistas de São Tomé e Príncipe, como Olavo Amado, Adilson Castro, Emerson Quinda, Eduardo Malé, Kwame Sousa, Preta, Pascoal Vilhete e Conceição Lima, em diálogo com artistas de outros contextos que têm vindo a trabalhar a partir de São Tomé, das suas histórias, paisagens e relações atlânticas, como Mariana Maia Rocha, Beatriz Vilhena, Beatriz Neto, Daniel Blaufuks, Amadeo Carvalho, Mafalda Santos, Ves Tres – Maria Matias, Ana Malta, Madalena Pequito, Inês Gonçalves e Jacqueline de Montaigne.
A exposição reúne práticas artísticas muito diversas, desde pintura, desenho, fotografia, instalação, esculturo, vídeo, palavra e performance, permitindo «mostrar a sua capilaridade cultural, a forma como o arquipélago se prolonga para lá das suas fronteiras, através dos seus artistas, das suas diásporas, das suas relações com outros territórios e daqueles que por lá passaram, investigaram, criaram ou estabeleceram vínculos duradouros.», segundo o texto de sala da exposição.
O texto refere ainda que «há obras que convocam a memória das roças e da economia do cacau; outras que trabalham a paisagem como arquivo vivo; outras ainda que se aproximam do corpo, da espiritualidade, da oralidade, da migração, da infância, da ruína ou da permanência dos gestos comunitários. O arquipélago aparece, assim, como matéria histórica e afetiva, mas também como lugar de produção contemporânea, onde a experiência insular não significa isolamento, mas relação.»
O termo «laboratório» utilizado no título da exposição, não é aqui usado de forma inocente. «Remete, por um lado, para a história colonial das ilhas enquanto território onde se ensaiaram modelos económicos, sociais e raciais profundamente violentos. Mas é também recuperado no presente como lugar de criação, investigação e pensamento crítico», segundo o mesmo texto.
Isabel Aboim Inglez, Céu, 2026, Fotografia Digital, cor, jato de tinta sobre papel, 91x70 cm. Exposição «Meio-Meio» de Isabel Aboim Inglez e Rui Horta Pereira na Casa da Avenida em Setúbal, até 19 de julho de 2026
Créditos FPRegistamos, uma vez mais, uma excelente proposta na programação da Casa da Avenida2 em Setúbal, com a exposição «Meio-Meio» dos artistas Isabel Aboim Inglez e Rui Horta Pereira, que integra diversas peças de arte inéditas em fotografias, desenhos e escultura. A exposição vai estar disponível ao público até 19 de julho.
Acerca do percurso de Isabel Aboim Inglez (1971), podemos assinalar que tem vindo a desenvolver o seu próprio trabalho criativo na área da realização cinematográfica (ficção e animação), direção de fotografia, conceção e criação de iluminação para teatro, fotografia e ilustração. Na área da fotografia destaca-se o envolvimento da artista Isabel Aboim Inglez no projeto «Hiato», um projeto comunitário no Bairro das Colónias, em Lisboa, que teve o apoio dos comerciantes e por isso «foram colocadas imagens de grande formato nas montras», segundo a artista.
Rui Horta Pereira (1975), desde 2000 que tem vindo a centrar o seu trabalho e pesquisa sobretudo na escultura e no desenho e de como a construção do processo criativo não está desassociada da ação do criador, em todos os seus aspetos - sejam éticos, sociais, ambientais - bem como essa relação pode concretizar-se de forma eficaz. «O meu trabalho criativo é indissociável do processo e da experiência. Concebo-o como um elemento de mediação, elemento privilegiado de ligação ao quotidiano, à ciência, à educação. Encaro-o como um poema automático ao qual escapa o sentido, que acolhe, ingenuidades, convicções, desejos, informações diversas, que procura explicações na mesma medida que procura explicar-se.», segundo palavras do artista.
A Clarabóia, projeto de programação cultural da Casa do Professor3 em Braga, apresenta a exposição «A arte deve perturbar, deve dizer algo sobre a nossa realidade» do artista Vitor José Vieira, que poderá ser visitada até 31 de julho de 2026.
Vitor José Vieira, Guerra Civil Espanhola, 2010, fluidos mecânicos, acrílico, carvão, pastel sobre tela, 70×90 cm.
Exposição «A arte deve perturbar, deve dizer algo sobre a nossa realidade» de Vítor José Vieira na Casa do Professor em Braga, até 31 de julho de 2026
O texto apresentado na exposição assinala que Vieira é «um artista cuja prática incorpora a rutura, a expressão e a urgência da reflexão», acrescentando ainda que no seu trabalho de criação combina «um rigoroso fundamento técnico com uma busca inquieta por novas linguagens de expressão, abordando frequentemente temas como o conflito, a memória e a fragilidade da existência humana. Workshops de expressão artística moldaram ainda mais a sua abordagem, ancorando as suas criações tanto na investigação académica como na experiência vivida. Para Vieira, a arte não é um objeto decorativo, mas uma perturbação — um apelo para confrontar a realidade, resistir à complacência e questionar as narrativas que herdamos. Através da técnica mista e do expressionismo gestual, insiste no poder da pintura para inquietar e despertar.», segundo texto publicado no livro 100 artists of Europe da Culturale Lab.
A imagem da pintura de Vieira, que publicamos neste artigo e que está presente na exposição, sem deixar de nos inquietar, pelos momentos conturbados que vivemos atualmente, remete-nos para «um dos capítulos mais sombrios da história europeia: a Guerra Civil Espanhola (1936–1939). Vieira sobrepõe técnica mista com intensidade crua – fluidos mecânicos, acrílico, carvão e pastel – sobre a tela, criando uma superfície que parece fraturada e erodida. Uma forma negra expande-se por uma paisagem chamuscada e dilacerada, evocando o calor abrasador da Catalunha, o último bastião de resistência. A própria textura parece degradada, como se a tela estivesse a colapsar sob o peso da memória, espelhando a decadência, a perda e a morte. As crianças, vítimas ao longo de gerações, persistem como uma presença invisível na obra – o seu trauma ecoando para o futuro. Expressionista e sem concessões, a pintura recusa o previsível; em vez disso, perturba, choca e força a reflexão sobre como a guerra se imprime não apenas no presente, mas também naqueles que ainda estão por vir.», tendo também como fonte, o texto já referido no parágrafo anterior.
«So Many Names» é um projecto de Luísa Jacinto que «articula as ideias de leitura, paisagem, e corpo para sugerir diversas formas de experiência possível da pintura». Vai estar em exposição na Fundação Carmona e Costa4 em Lisboa e pode ser visitado até 25 de julho de 2026.
Exposição «So Many Names» de Luísa Jacinto na Fundação Carmona e Costa em Lisboa, até 25 de julho de 2026
Créditos FCCComo ponto de partida, o texto da exposição, assinala que esta exposição com curadoria de Miguel Mesquita, foi pensado como um objeto instalativo, entendido «não apenas como imagem, mas como substância que se desenrola e expande no espaço e no tempo.».
«Gosto de pensar a pintura e a leitura como coisas muito próximas, algo semelhantes. Ler o mundo como uma grande pintura, ler com o corpo todo. A visualidade como uma escrita a decifrar, o movimento do observador como leitura e também como escrita», nas palavras da artista Luísa Jacinto.
«So Many Names» é um projeto que compreende várias exposições, duas tendo já decorrido no Córtex Frontal, em Arraiolos, em junho de 2025, e no Museu Francisco Tavares Proença Júnior, em Castelo Branco, em novembro passado. A artista revela que a peça mantém a memória física do primeiro espaço em que foi exposta, ou seja, em Arraiolos, podendo também vir a «sofrer alterações, desde que mantenha memórias das apresentações anteriores.»
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LAC – Largo Convento Sra. da Glória, 8600-660 Lagos. Horário: segunda a sábado, das 10h às 13h e das 14h às 18h
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Casa da Avenida – Avenida Luísa Todi, 286 2900 Setúbal. Horário: quarta-feira e domingo, das 15h às 19h
- 3
Casa do Professor – Avenida Central, 106-110 Braga. Horário: segunda a sábado, das 10h às 18h
- 4
Fundação Carmona e Costa, Rua Soeiro Pereira Gomes, Lote 1, Lisboa. Horário: quarta a sábado, das 15h às 19h
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