Sonia Santiago Hernández, representante do colectivo Madres contra la Guerra, reafirmou este domingo o repúdio total pelo uso que a actual administração norte-americana faz do arquipélago de Porto Rico, visando agredir militarmente países caribenhos.
Durante uma manifestação popular realizada no município oriental de Ceiba, a activista denunciou o perigo latente do militarismo estrangeiro para a soberania regional, refere a TeleSur.
A organização social centrou as suas críticas nos terrenos da antiga Base Naval de Roosevelt Roads, um local que qualificaram como símbolo do domínio colonial norte-americano e uma grave fonte de poluição ambiental.
De acordo com relatórios oficiais de agências norte-americanas, foram identificadas na região 82 áreas contaminadas com metais pesados, hidrocarbonetos e solventes industriais altamente tóxicos. Santiago Hernández exigiu a divulgação imediata de um relatório actualizado sobre o estado real do solo e das águas subterrâneas, alertando para os potenciais riscos para as comunidades próximas.
A porta-voz manifestou profunda preocupação com o facto de os recursos hídricos locais serem usados de forma prioritária para apoiar as operações de aproximadamente 3000 militares no complexo naval e condenou como inaceitável o facto de, no meio de uma grave crise de água potável que afecta milhares de famílias porto-riquenhas, as instalações do aparelho militar estrangeiro receberem um abastecimento contínuo.
Defesa da soberania, da solidariedade e da paz
Além disso, os manifestantes insistiram que os recursos naturais e os serviços básicos do arquipélago caribenho devem ser destinados ao bem-estar do povo trabalhador, não à manutenção de aeronaves invasoras, refere a fonte.
A organização chamou ainda a atenção para as intenções de Washington de consolidar Porto Rico como plataforma estratégica para potenciais intervenções ou bloqueios contra Cuba e outros países da América Latina. Perante esta ameaça, os participantes na mobilização reafirmaram que Porto Rico se deve estabelecer definitivamente como uma «ponte de solidariedade internacional e paz», rejeitando qualquer lógica de confronto armado.
A Madres contra la Guerra lançou um apelo urgente a sindicatos, grupos ambientalistas, religiosos e de defesa dos direitos humanos para que se unam na salvaguarda da integridade do território, e propôs que os terrenos da base militar sejam transformados, de forma definitiva, em centros dedicados ao desenvolvimento sustentável, à educação científica e à criação de empregos dignos nos municípios de Ceiba e Naguabo, no Leste do país.
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