Numa carta dirigida ao ministro da Educação, os estudantes recordam que o próprio primeiro-ministro reconheceu que a época de exames é vivida com «ansiedade» por alunos, famílias e professores. Agora, com as alterações de calendário anunciadas, são milhares os estudantes que se encontram «num estado de incerteza acerca do seu futuro».
As associações que subscrevem a carta vão mais longe e criticam o próprio modelo dos Exames Nacionais, classificando-o como «injusto, desnecessário e ultrapassado», e uma «barreira para limitar o acesso ao Ensino Superior que em nada serve para avaliar as reais capacidades dos estudantes».
Sobre a polémica instalada, os estudantes alertam ainda para as consequências práticas do adiamento: «Muitos tinham a sua vida organizada de acordo com o calendário divulgado e agora poderão estar em risco de não conseguir aceder à 2.ª fase», sublinham.
As estruturas subscritoras acusam o Governo de ignorar sistematicamente os pedidos de reunião e as reivindicações dos estudantes, quer sobre o sistema de avaliação, quer sobre as alterações ao modelo de correção, quer ainda sobre as denúncias de limitação da democracia nas escolas.
Nestas circunstâncias, consideram «compulsório» que o Executivo aceda aos pedidos de diálogo e exigem a apuração de responsabilidades. «Exigimos explicações quanto a este processo, quanto aos efeitos que isto poderá ter nas candidaturas ao Ensino Superior e exigimos que se apurem responsabilidades», lê-se na carta.
A carta é subscrita por cinco associações de estudantes: da Escola Artística Soares dos Reis; da Escola Básica 2/3 João da Silva Correia; da Escola Secundária da Maia; da Escola Secundária Anselmo de Andrade; e da Escola Secundária Michel Giacometti, e foi divulgada pelo Movimento Voz aos Estudantes, que reivindica estar «em luta pela Escola de Abril».
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