O Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU afirmou que a assistência às famílias na Cisjordânia ocupada foi reduzida para metade devido à escassez de recursos, deixando cerca de 200 mil pessoas sem apoio num contexto em que as necessidades humanitárias duplicaram nos últimos dois anos.
O director do PAM para a Palestina, Shaun Hughes, afirmou que «a escalada da violência dos colonos e as operações militares israelitas, juntamente com a crise económica e o aumento do desemprego, agravaram a insegurança alimentar» na Cisjordânia.
Citado pela Wafa, Hughes disse ainda que cerca de um terço da população na Margem Ocidental tem dificuldades em satisfazer as suas necessidades básicas, no meio da queda do poder de compra das famílias e do aumento do custo de vida.
No que respeita à Faixa de Gaza, o PAM declarou que, em resultado da redução da ajuda financeira, cortou o apoio a cerca de 75 mil famílias em Julho, quando as necessidades humanitárias se mantêm em níveis elevados.
O programa alimentar alertou que até 90% da população de Gaza poderá enfrentar níveis elevados de insegurança alimentar aguda no final deste ano, caso a ajuda humanitária não se mantenha.
Alerta da OMS para crise de saúde em Gaza
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para uma potencial crise de saúde pública em Gaza durante o Inverno, devido à contaminação da água e à deterioração dos serviços de saneamento.
A OMS observou um aumento dos casos de diarreia aquosa aguda de aproximadamente 30 mil, em Março, para mais de 58 mil, em Agosto.
A organização afirmou também que mais de 6600 pessoas necessitam de cuidados a longo prazo após amputações, e que apenas 12% dos feridos amputados desde Outubro de 2023 receberam próteses até Julho último.
Neste sentido, a OMS apelou à aceleração da entrada de material médico, laboratorial e de próteses no enclave, bem como à garantia de acesso a água potável e à melhoria da gestão de resíduos, de modo a reduzir o risco de surtos de doenças e o agravamento da situação sanitária.
Cerca de 500 palestinianos detidos em Agosto
As forças de ocupação israelitas detiveram cerca de 500 palestinianos na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém em Agosto, incluindo 31 menores e 11 mulheres, informou esta quarta-feira o Centro de Estudos dos Prisioneiros Palestinianos.
Em comunicado, o centro afirmou que as campanhas de detenção foram acompanhadas por invasões a dezenas de casas, buscas e danos materiais, bem como pela detenção de palestinianos para interrogatórios no terreno, refere o portal palinfo.com.
Nalguns casos, os residentes foram obrigados a sair de casa durante horas, com a maior parte dos que foram sujeitos a interrogatórios no terreno a serem posteriormente libertados, depois de sofrerem humilhações, espancamentos e ameaças.
De acordo com o organismo, estas campanhas fazem parte de uma política sistemática de punição colectiva que visa a esgotar as comunidades palestinianas na Cisjordânia por via da detenção de centenas de pessoas todos os meses e do interrogatório no terreno a centenas de outras, sobretudo jovens.
Outro preso palestiniano morto sob custódia israelita
Ihab Mohammad Diab, de 36 anos e proveniente da Faixa de Gaza, foi morto na cadeia como resultado da tortura a que foi submetido na sequência da sua detenção, em Dezembro de 2023, informou o centro, acrescentando que trata do 328.º preso palestiniano a morrer numa cadeia da ocupação desde 1967 e o 91.º desde Outubro de 2023.
Denunciando que Israel escondeu a morte de Mohammad Diab durante mais de dois anos, o organismo sublinha que este caso faz aumentar as preocupações de que dezenas de palestinianos detidos em Gaza possam ter sido mortos sob custódia israelita, sendo o seu destino por agora desconhecido.
Mais de 700 ordens de detenção administrativa
No documento, o Centro de Estudos dos Prisioneiros Palestinianos destaca ainda o aumento significativo da detenção administrativa em Agosto por parte das autoridades israelitas, que emitiram mais de 700 ordens – novas e renovadas.
Recorde-se que o regime de detenção administrativa permite a Israel manter os presos na cadeia sem acusação formal ou julgamento por períodos até seis meses, infinitamente renováveis.
De acordo com os dados das instituições dos presos palestinianos, há mais de 9400 actualmente nas cadeias israelitas. Entre estes, contam-se 92 mulheres, 3324 ao abrigo do regime de detenção administrativa e 1316 que a entidade sionista designa como «combatentes ilegais».
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