O alerta foi dado pelo Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS), estrutura sindical que integra a Federação Nacional dos Médicos (FNAM). A «grave escassez de médicos anestesiologistas» na Unidade Local de Saúde (ULS) São José, em Lisboa, tem vindo a agravar-se nos últimos meses, o que está a «degradar a qualidade dos cuidados de saúde e a comprometer a segurança da resposta às situações de urgência e emergência».
Em consequência, com equipas reduzidas «a níveis considerados insuficientes e que infringem as recomendações da Ordem dos Médicos», a ULS São José foi forçada a fazer «uma redução drástica da actividade cirúrgica planeada, colocando agora em risco o funcionamento das escalas de urgência».
No Hospital de Santa Marta, a «equipa de urgência foi reduzida a apenas um anestesiologista», o que inviabiliza «uma resposta segura a múltiplas ocorrências simultâneas», alerta o SMZS. Já no Hospital D. Estefânia, instituição dedicada exclusivamente ao acompanhamento de casos de crianças e jovens, a insuficiência de recursos «forçou uma reorganização do atendimento às urgências cirúrgicas pediátricas, tornando o serviço dependente de transferências para outras unidades ou da mobilização excepcional de médicos de outros pólos da ULS para garantir a viabilidade das intervenções».
De forma a proteger os médicos de eventuais consequências legais provocadas pelas falhas estruturais de gestão das ULS e do Ministério da Saúde, o sindicato recomenda que os seus associais subscrevam e entreguem «uma declaração de declinação de responsabilidade funcional». A qualidade e a segurança do trabalho médico «não podem ser subordinadas a políticas de gestão que comprometem o normal funcionamento dos serviços», considera o SMZS.
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