No final do passado mês de Agosto, a comissão de utentes já tinha solicitado esclarecimentos à Fertagus e ao Ministério das Infraestruturas sobre as medidas previstas para responder à situação de crescente degradação do serviço, marcada pela insuficiência da oferta, pela falta de investimento e pela ausência de planeamento estratégico para a mobilidade. Na reunião do passado dia 2 de Outubro com o Conselho de Administração da Fertagus, a questão voltou a estar em cima da mesa, com a CUTMS a exigir medidas concretas para reforçar a capacidade de transporte e dar resposta ao aumento sustentado da procura, tendo em conta a realidade que os passageiros enfrentam nas deslocações diárias. «Continuam a viajar em composições sobrelotadas, sujeitos a atrasos e a condições incompatíveis com um serviço de transporte público de qualidade», critica a CUTMS, através de comunicado.
As respostas não foram, contudo, as que os utentes esperavam e precisavam. «Segundo a Fertagus, os atrasos registaram uma redução significativa, resultado da articulação com a Infraestruturas de Portugal, que passou a concentrar, sempre que possível, os trabalhos de manutenção da linha em período nocturno», lê-se na nota. Acrescenta que a empresa referiu igualmente uma diminuição das supressões de circulações e a colocação de trabalhadores nas plataformas para orientar os processos de embarque e desembarque, contribuindo para reduzir os tempos de paragem.
Relativamente à sobrelotação, «a principal medida apresentada consistiu na disponibilização de informação sobre a taxa previsível de ocupação dos comboios, permitindo aos passageiros optar por horários menos procurados», tendo a Fertagus informado ainda que dispõe de trabalhadores com formação em suporte básico de vida nas estações, «assegurando uma resposta mais célere em situações de indisposição dos passageiros e contribuindo para a redução dos tempos de paragem».
Para a CUTMS, que estas medidas «não constituem uma resposta efectiva ao problema central da sobrelotação e da insuficiência da oferta de transporte». Entre outros aspectos, denuncia que a informação disponibilizada sobre a ocupação das composições «não é apresentada em tempo real», o que limita a sua utilidade prática.
Sobre as duas composições adicionais anunciadas pela Fertagus em reunião realizada com a CUTMS em 2025, e cuja entrada ao serviço estaria prevista para o final deste ano, «foi agora comunicado que apenas deverão entrar em funcionamento durante o segundo semestre de 2027». Embora reconheça a importância deste reforço, a CUTMS considera que o mesmo «está longe de responder às necessidades actuais e futuras da linha». «A Fertagus informou ainda ter manifestado interesse na aquisição de mais quatro composições junto da Renfe, mas sem qualquer garantia relativamente aos prazos de entrega, admitindo que estes poderão apenas concretizar-se no final da década», refere o comunicado.
À comissão de utentes, a administração da Fertagus informou ainda que a frota existente «opera praticamente no limite da sua capacidade», havendo apenas uma composição disponível para manutenção diária. Neste sentido, conclui a comissão, «qualquer avaria estrutural poderá ter impactos significativos na oferta de transporte».
Quanto aos impactos da implementação do Passe Verde, a CUTMS afirma que a empresa «limitou-se a afirmar» que acompanhará a evolução da procura, «sem apresentar qualquer medida concreta de reforço da oferta ou de antecipação do previsível aumento de passageiros». Neste sentido, lamenta, a reunião «confirmou» que «continuam a faltar respostas estruturais para resolver os problemas da Fertagus».
Reforça que, «entre adiamentos sucessivos, insuficiência de investimento e ausência de medidas concretas para aumentar a capacidade da linha», os passageiros da Margem Sul «continuam a ser confrontados com um serviço manifestamente insuficiente para responder às necessidades existentes», mas aponta respostas. A solução passa pelo reforço urgente da oferta, pela aquisição de novo material circulante, pelo aumento da capacidade de transporte e pela concretização dos investimentos há muito reclamados pelos utentes», afirma a CUTMS, realçando que a mobilidade «é um direito e não pode continuar dependente de promessas sucessivamente adiadas».
Numa viagem realizada em Janeiro passado, o presidente da Câmara Municipal do Seixal, Paulo Silva, admitiu que ir para o trabalho de Fertagus «é quase desumano».
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