Foi com um ar radiante, ao nível das crianças que estão na presença do seu ídolo, que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, recebeu Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos da América. Se já se antecipava uma declaração pública de apoio ao imperialismo norte-americana, a conferência de imprensa após o encontro entre os dois dissipou o posicionamento do Governo português.
Da parte do governante português não houve nada a não ser elogios. O ministro português dos Negócios Estrangeiros começou por recordar as relações históricas entre Portugal e os Estados Unidos e fez questão de vincar que «Portugal é o campeão da prioridade que a Europa deve dar à relação transatlântica», numa postura de autêntico servilismo.
Se o plano da submissão já não estivesse evidente, num quadro de degradação dos serviços públicos em Portugal, Paulo Rangel vincou que é preciso «investir na Defesa» para uma «NATO mais forte».
Além deste aspecto, Rangel ignorou o papel ofensivo e bélico da NATO e procurou veicular a tese de que a aliança atlântica «é um pilar fundamental da nossa defesa e da nossa segurança e é portanto uma das prioridades na nossa política externa», garantindo assim que o país se encontra totalmente alinhado com objectivos da política externa norte-americana, ao arrepio da Constituição da República Portuguesa.
O cúmulo da pós-verdade chegou no momento em que Paulo Rangel não relembrou a guerra na Ucrânia nem no Médio Oriente e elogiou o papel norte-americano «na resolução» dos conflitos.
Evidentemente agradado, Marco Rubio afirmou que a cooperação entre os EUA e Portugal vai «muito além da defesa», afirmando que o nosso país «tem um papel muito importante na promoção do comércio norte-americano». O secretário de Estado norte-americano vincou ainda que «Portugal tem um papel muito importante na promoção do comércio norte-americano».
Numa curta intervenção, Rubio fez questão de procurar vender os seus caças F-35, apesar de Paulo Rangel ter esclarecido que a decisão sobre a substituição da frota de F-16 da Força Aérea Portuguesa «ainda não está tomada». Neste encontro bilateral o norte-americano assumiu que parte do seu guião passava por afastar Portugal da esfera chinesa: «não é bom para qualquer país depender da China», disse.
Neste aspecto, importa relembrar que, em Setembro de 2025, o primeiro-ministro deslocou-se à China e afirmou que «Portugal e a China têm uma relação fundada numa história que partilharam com vários momentos em comum, mas também uma relação virada para o futuro». Naturalmente que estas declarações não foram bem vista por Washington e, deste modo, Marco Rubio aproveitou a vinda a Portugal para exercer o seu soft power, algo que Paulo Rangel não rejeita, dado o seu alinhamento com os interesses do imperialismo.
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