A recusa da ITAU (concessionária do serviços de bares nos comboios da CP) em cumprir o que está estabelecido no Acordo de Empresa está a fazer com que os trabalhadores sejam prejudicados em cerca de 200 euros todos os meses, explica o Sindicato de Hotelaria do Norte (SHN/CGTP-IN), em comunicado.
A difícil situação destes profissionais dura há vários anos. Depois de terem enfrentado vários meses de remunerações em atraso com as concessionárias Apeadeiro 2020 e Newrail, a expectativa era a de que a ITAU, que assumiu a gestão em Abril de 2025, viesse assegurar alguma estabilidade ao serviço. Esperanças goradas. A empresa, uma das maiores no sector e cliente da Spinumviva (do primeiro-ministro Luís Montenegro, cujo governo é responsável pelas concessões na CP) recusou-se desde o primeiro momento a cumprir a convenção colectiva em vigor.
Para além de perderem «a carga horária de 8 horas diárias e de 35 horas semanais», um acréscimo de 25% no trabalho ao sábado e domingo, um «subsídio de refeição diário» de 11,50 e 13 euros, diuturnidade de 20 euros e o «pagamento dos prémios de responsabilidade e subsídio de transporte», tudo questões que foram negociadas e postas em prática em Janeiro de 2025, a ITAU agravou a situação recentemente ao retirar também «o pagamento correspondente a 22 dias de subsídio de alimentação», refere o SHN.
«O governo e a administração da CP estão a dar cobertura a esta situação, apesar das sucessivas denúncias apresentadas pelos trabalhadores e pelas suas organizações representativas», acusa o sindicato, relembrando que a secretária de estado das Infraestruturas «tem recusado reunir com os representantes dos trabalhadores, apesar dos vários pedidos de reunião».
Sem qualquer solução apresentada pela ITAU, CP ou pelo Governo, os trabalhadores dos bares dos comboios Alfa Pendular e Intercidades vão dar início a uma greve a partir do dia 31 de Agosto, «por tempo indeterminado, em defesa do cumprimento integral do Acordo de Empresa e contra a retirada de direitos conquistados».
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