«Quantos minutos trabalham diariamente milhares de trabalhadores antes de começar o seu horário? E quantos continuam a trabalhar depois de terminado o turno, sem que esse tempo seja contabilizado?», questiona, em comunicado enviado ao AbrilAbril, o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura, e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB/CGTP-IN).
Tudo o que implique vestir e despir o fardamento obrigatório, colocar e retirar equipamentos de protecção individual, cumprir procedimentos de higiene, preparar ferramentas ou tomar banho quando exigido pelas condições de trabalho «são tarefas indispensáveis à prestação laboral», mas «não são actividades de natureza pessoal, livremente escolhidas pelos trabalhadores».
«O teu tempo não é para doar» é uma campanha nacional que o SINTAB está a promover em empresas de todos os distritos do país. O problema não se resume à remuneração de alguns minutos, explica o sindicato: trata-se do «reconhecimento efectivo do tempo de trabalho, do respeito pelos horários e do direito ao descanso e à vida pessoal e familiar». Entrar 15 minutos antes do horário estabelecido contratualmente para o início do turno e outros 15 ao final do dia transformam-se numa parcela considerável da vida de cada trabalhador.
A reivindicação apresentada pelo SINTAB nesta acção é clara: «o tempo necessário ao cumprimento de tarefas obrigatórias de preparação e conclusão da prestação laboral deve ser reconhecido e integrado no horário de trabalho ou receber o tratamento legalmente aplicável quando realizado fora dele».
Uma das acções planeadas para o sindicato passa por pedir aos trabalhadores que identifiquem e registem «o tempo que despendem diariamente nas operações exigidas antes e depois do período formal de trabalho», permitindo assim visualizar o tempo (e a remuneração) perdido por cada trabalhador nos diversos sectores de actividade representados pelo SINTAB.
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