Silvestre Pestana na Galeria Municipal do Porto1 apresenta «Colapso», uma instalação que continua a interrogar os modos como a tecnologia redefine as situações de comunicação e de significação na vida contemporânea. Esta instalação tem a curadoria de João Laia e decorre até 28 de junho de 2026.
Silvestre Pestana é um artista incontornável da arte contemporânea portuguesa e figura pioneira da poesia visual, da performance, da videoarte e da arte eletrónica e digital. Silvestre Pestana desenvolve uma prática exploratória desde a década de 1960, onde participou no grupo de poetas experimentais (PO.EX), que em conjunto com outros artistas experimentais como E.M. de Melo e Castro, Ana Hatherly, António Aragão, António Barros e Salette Tavares, entre outros, interrogaram o signo, o objeto e o processo criativo, abrindo novos caminhos para arte.
Exposição/Instalação «Colapso», de Silvestre Pestana, na Galeria Municipal do Porto, até 28 de junho de 2026
Créditos GMPSegundo o curador, esta exposição apresenta uma nova instalação de grande escala, «uma obra que expande a sua análise rigorosa sobre os impactos e escombros da tecnologia na nossa sociedade.
Com uma prática artística que atravessa a performance, o vídeo, a fotografia e o digital, Silvestre Pestana constrói uma obra onde a poesia se expande para além da palavra. O corpo como linguagem, a imagem em movimento e os primeiros computadores tornam-se territórios de investigação, onde arte e tecnologia se cruzam tanto como campo for mal quanto como espaço de reflexão crítica sobre as transformações sociais provocadas pelo progresso técnico.
Em «Colapso», o artista apresenta uma instalação pensada para o espaço da Galeria Municipal do Porto que coreografa luz, arquitetura e linguagem. Regressando ao LED enquanto dispositivo emissor e signo cultural, explora a sua aparente obsolescência como metáfora de ruína e excesso tecnológico. A obra evoca a paisagem urbana através de símbolos visuais e textuais, reunindo ecos de trabalhos anteriores e ensaios de novas possibilidades poéticas. Entre invenção e crítica, Pestana reafirma a poesia experimental como ferramenta para interrogar o presente e a nossa relação com a promessa e o desgaste da tecnologia.
(…) Desta forma, enquanto o título da instalação qualifica o momento contemporâneo como um período marcado por clivagens e sentimentos de ansiedade em relação ao futuro, «Colapso» constitui-se também como um momento paradoxalmente otimista de liberação, indicando as diferentes configurações à nossa disposição e, por isso, as múltiplas possibilidades do que há por vir.»
No BAG - Banco das Artes Galeria2, em Leiria, podemos visitar a exposição «O QUÊ?!», de Jeff van Weereld, até 13 de setembro de 2026, que apresenta uma coleção de obras que operam na intersecção entre a mestria técnica e a crítica social mordaz, fruto de uma trajetória única que funde o rigor da instrumentação científica com a expressão escultural.
Jeff van Weereld nasceu em 1942 em Tilburg (Holanda) e vive em Portugal desde 2018. «Com uma carreira de quase quarenta anos dedicada ao desenho e construção de instrumentos de precisão, Weereld transpõe essa perícia para o domínio da arte, com recurso ao metal, ao vidro e à matéria orgânica para questionar o estado do mundo contemporâneo. A exposição afirma-se como um grito de horror e choque perante a atualidade geopolítica.
«Maria Guadaloupe Dominguez Perez», 2025. Ferro revestido a pó, memória de computador obsoleta, 122x92x22 cm. Exposição «O QUÊ?!», de Jeff van Weereld, no BAG - Banco das Artes Galeria, em Leiria, até 13 de setembro de 2026
Créditos Jeff van Weereld(…) A materialidade é o fio condutor de toda a mostra, assim como a memória técnica e a obsolescência. Desde os fungos que reclamam a madeira morta em "Panellus" até à visão distópica de que, após a destruição do planeta, apenas o metal permanecerá, Weereld oferece uma perspetiva crua sobre a permanência e o efémero. "O Quê?!" é mais do que uma mostra de objetos; é um manifesto visual de um criador que acredita que a arte deve ser feita de substância, habilidade manual e uma recusa absoluta em ignorar as tragédias do seu tempo», segundo o texto da exposição.
Segundo o artista, a obra «Maria Guadaloupe Dominguez Perez» presta homenagem aos milhares de mulheres que, entre os anos 50 e 70, teceram manualmente as memórias magnéticas dos primeiros computadores.
A Sala do Capítulo do Convento São Francisco3, em Coimbra, acolhe a instalação sonora e escultórica «se estas pedras falassem» de Maria Trabulo, que evoca o património destruído e as memórias do Museu de Raqqa, na Síria. Esta instalação está integrada no programa da Anozero'26 - Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra que vai decorrer até 5 de julho de 2026.
Com uma abordagem interdisciplinar, Maria Trabulo recupera, nesta obra, um certo passado fragmentado na tentativa da sua utópica reconstrução. São furtos efémeros e eficazes ao tempo. Este seu trabalho foi «feito a partir dos ecos do espólio do Museu de Raqqa, na Síria, destruído e pilhado pela guerra entre 2013 e 2017. A artista trabalha a invisibilidade da memória através da incerteza dos seus suportes, materializada neste conjunto de guardiões da memória, termo utilizado pela própria. A destruição e até o próprio tempo podem cindir a memória em milhares de aporias se as ações devidas de conservação e recuperação não tiverem lugar.», segundo a folha de sala.
Anozero – Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra é uma iniciativa proposta em 2015 pelo Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, organizada em conjunto com a Câmara Municipal de Coimbra e a Universidade de Coimbra. Participam nesta bienal cerca de meia centena de artistas, destacamos Vasco Araújo, Alberto Carneiro, Rui Chafes, Adriana Molder, Maria Trabulo, Luisa Cunha, Inês Brites, Chantal Akerman, Frédéric Bruly Bouabré e Nan Golding, entre outros e em diversos locais da cidade, como Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, Círculo Sede, Círculo Sereia, Convento São Francisco, Museu Municipal de Coimbra, Jardim Botânico e MUSEU.
Hans Ibelings e John Zeppetelli são os curadores do Anozero'26, referem no texto curatorial que «vivemos num mundo em que as disrupções económicas são celebradas como «destruição criativa» e em que a palavra «mútuo» surge mais frequentemente associada ao espectro da destruição nuclear mútua do que à ajuda mútua. É um mundo marcado por desigualdades extremas e por uma inquietante deriva para o autoritarismo de direita.» Neste sentido, o título/tema da Bienal, segurar, dar, receber «pretende ser um gesto discreto, mas firme, de resistência – um manifesto em favor da horizontalidade, da ajuda mútua, da simbiose e da reciprocidade. O Anozero'26 destaca práticas artísticas e arquitetónicas que esbatem as fronteiras entre disciplinas e apresenta projetos que – implícita ou explicitamente – dão, retribuem, transmitem adiante e permanecem recetivos às pessoas e às interpretações. Uma arte hospitaleira, uma arquitetura generosa.»
Pode consultar toda a programação e locais das atividades da Anozero – Bienal de Coimbra, aqui.
Exposição «Quarenta dias sem deus», de Inez Teixeira na Sociedade Nacional de Belas-Artes, em Lisboa, até 11 de julho de 2026
Créditos Inez TeixeiraA Sociedade Nacional de Belas-Artes4, em Lisboa, em parceria com a Fundação Carmona e Costa, apresenta a exposição «Quarenta dias sem deus», de Inez Teixeira, até 11 de julho de 2026.
«Concebida especificamente para este espaço, a exposição reúne um conjunto alargado de obras, maioritariamente inéditas, produzidas entre 2018 e 2026.
Retomando o tema geológico já explorado em Degelo (2018), a artista aprofunda uma reflexão sobre a precariedade do nosso futuro comum, convocando tensões entre dúvida e desvelamento, opacidade e revelação… torna-se, assim, o cenário de uma meditação sobre o tempo, a fragilidade e o desaparecimento, mas também sobre a possibilidade de reflorescimento e recomeço — um motivo persistente na tradição da arte ocidental.»
Inez Teixeira (1965) em conversa com o curador Nuno Faria, em 2022, publicada na Arte Capital, afirmou que aquilo que lhe interessa são «determinadas questões que têm sido constantes ao longo do tempo. Estudo e pesquiso assuntos que me interessam, são muitos. Não faço investigação com um intuito que disso resulte uma série de trabalhos, cujo conceito deriva da pesquisa que é feita. Estudo por interesse, curiosidade, para meu conhecimento, e isso tem obviamente influência no meu trabalho, mas não diretamente, ou de uma forma que seja percetível. Faz parte de um todo. Depois tudo está sujeito a escolhas, interpretações, a não explicações, omissões e ocultações…»
O autor escreve ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90)
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Galeria Municipal do Porto – Rua D. Manuel II 4050-346 Porto. Horário: terça a domingo, das 10h às 18h.
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BAG - Banco das Artes Galeria – Largo 5 de outubro, nº43 2400-120 Leiria. Horário: segunda a sexta-feira, das 9h30 às 12h e das 14h às 17h; sábados e domingos, das 9h30 às 13h e das 14h às 18h.
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Convento São Francisco – Avenida da Guarda Inglesa 1a, 3040-193 Coimbra. Horário: todos os dias, das 15h às 20h (última entrada às 19h30). Aberto nos feriados.
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SNBA – Rua Barata Salgueiro 36, 1250-044 Lisboa. Horário: dias úteis, das 12h às 19h, e sábados, das 14h às 19h.
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