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|Festa do «Avante!»

Guia para quem escolheu visitar a Festa do «Avante!»

Começa esta sexta-feira o maior evento político-cultural do país, que assinala 50 anos, e há quem se prepare para a visitar pela primeira vez.

Créditos / Festa do «Avante!»

Há quem tenha ido a todas as edições, outros foram a todas desde que se lembram, mas há também aqueles que escolheram o marco dos 50 anos para, enfim, ver com os próprios olhos aquilo que tanto falam da Festa do Avante!. Confere algumas dicas para tentar aproveitar ao máximo.

Concertos

Apesar da organização insistir de que a Festa não é um mero festival de verão, o cartaz dos artistas chama muita gente. É natural que os concertos do Carlão, da Carolina Deslandes, dos Cara de Espelho, do Pedro Jóia com Ney Matogrosso, do Regula ou do António Zambujo atraiam olhares e ouvidos. Mas para além dos artistas, a Festa dá a oportunidade de conhecer outros sons e artistas de todos os cantos do mundo, como o shamstep dos palestiniano-jordanianos do 47 Soul; o som tuga-angolano da Irma; o rap intenso do santomense-português Ja Yl’ Son ou a irreverente música popular cubana de Arnaldo Rodríguez y su Talismán.

De facto, há muito para se ouvir no Palco 25 de Abril e no Auditório 1.º de Maio, mas nem tudo está por lá. O Palco Paz trará uma grande variedade de artistas e uma proposta mais próxima do público: na sexta-feira, o rapper Malabá sobe ao palco para comemorar os seus 20 anos de carreira; os irmãos do Fjords levarão o seu rock atmosférico até ao palco depois de vencerem o Concurso Novos Valores, promovido pela JCP ao longo dos últimos meses. É no sábado no Palco Paz que será possível escutar a tradição portuguesa de cante e percussão que já não encontra-se em qualquer sítio. Tradições conservadas no Grupo Coral do Sindicato da Indústria Mineira de Aljustrel, ou reinterpretadas pelo Fala Povo Fala com um punk popular. Domingo o palco descola de Portugal e percorre o mundo, do Vietname, ao celta das Espiral, passando pelos sons do Magrebe e do Irão com o Moro Acid e indo parar até parar no pot-pourri de estilos com Tropicaustica + O gringo sou eu?.

Teatro e Cinema

Quando as pernas já estiverem cansadas de pular nos concertos, mas a mente ainda estiver imparável, a programação do «Avanteatro» e do «CineAvante» é indispensável. Este ano, haverá a adaptação de Julio Verne, com Volta ao Mundo em 80 Caixas, o clássico de Brecht, Mãe, mas também marionetas para todas as idades com os Bonecos de Santo Aleixo. Já a sétima arte no «CineAvante», traz cinema português de ontem e de hoje, além de duas sessões de curtas animadas oferecidas pela «Monstra». A programação destes dois espaços não está desconectada do resto do Avante!, e os filmes escolhidos também proporcionam a reflexão crítica do mundo e das suas múltiplas realidades sociais.Tudo num ecrã ao ar livre, sentados em banquinhos na relva, junto da Baía do Seixal.

Debates, solidariedade e comício

Talvez seja dos poucos eventos que se propõe olhar e discutir as realidades e problemas mundiais sem perder de vista as questões nacionais. Os debates, que este ano somam 76, são um dos elementos mais importantes do evento comunista, onde os visitantes, com ou sem afeição ao partido, podem ter contacto directo com suas posições e sobre diversos temas. Destaca-se aqui a conversa «Salário, preço e lucro – Uma questão actual» com os economistas Paulo Coimbra e Ricardo Paes Mamede, Isabel Cristina e o dirigente comunista Vasco Cardoso. 

A solidariedade é outro elemento fundamental da Festa e de seu espírito. Este ano, por conta dos eventos dos últimos meses, haverá um momento de solidariedade com a Guiné Bissau. As iniciativas de solidariedade com a Palestina e Cuba já são conhecidas e irão marcar uma forte presença ao longo de todo o fim-de-semana.

Ainda na componente mais explicitamente política, o seu ponto alto será no domingo, com a realização do comício e a intervenção do secretário-geral, Paulo Raimundo.

Gastronomia

Não se passa fome na Festa do Avante!, há opções para todos os gostos. Tal qual a programação musical é capaz de fazer o visitante rodar o mundo sem sair do lugar, a oferta gastronómica permite um pequeno almoço em Viana do Castelo, um almoço em Cabo Verde, um digestivo no Peru, uma francesinha de jantar no Porto e vários copos de poncha na Madeira para acompanhar os concerto. Tudo com algumas passadas de distância.

Dica: o cardápio completo das regiões, da Cidade da Juventude e dos partidos no Espaço Internacional está descrito no «Programa da Festa», a revista física do evento, mas também no site do evento.

Livros, discos e compras

A Feira do Livro e do Disco, apesar do maior sossego em relação aos demais espaços, traz uma oferta nada branda de títulos. Lá dentro, a curadoria do PCP poupa os visitantes de fake news, gurus de auto-ajuda e reescrita da História, ainda que não restrinja em nada a vastidão de temas nas prateleiras. Obras novas, reeditadas, clássicos e lançamentos, há um pouco de tudo para se conhecer e comprar. Este ano, como não poderia ser diferente, os comunistas lançam o livro «Festa do Avante! – 50 Anos», «uma viagem pela memória, pelas imagens e pelas histórias das primeiras 50 Festas, uma história que continua a ser escrita», conta a apresentação do debate que terá lugar no sábado.

Assim como na gastronomia, cada região também apresenta o seu artesanato. Há os calçados de couro do Porto, os copos de vidro de Leiria, as garrafas de medronho do Litoral Alentejano e as esculturas com identidade minhota de Braga. O espaço de Lisboa também conta com três bancas sui generis: um alfarrabista; um coleccionador de memorabília comunista e não só; e uma feira da ladra com roupas e objectos para casa.

Quem faz a Festa

Como esta pode ser a primeira ida à Atalaia de muitos, uma grande diferença em relação aos festivais de Verão pode saltar aos olhos: quem visita a Festa, também faz a Festa. Uma hora, aquela pessoa que acabaste de conhecer dividindo uma mesa na Região do Alentejo, pode mais tarde estar a servir imperiais no Bar 25 de Abril. 

E no final de três intensos dias de Avante! é natural o sentimento de que não foi possível ver, comer ou comprar tudo que se queria. Com 60 concertos, mais de 10 filmes, 6 peças, quase 80 debates, inúmeras exposições e cardápios, é humanamente impossível fazer tudo, mas como dizem os comunistas: «a melhor Festa é sempre a próxima».
 

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