Passar para o conteúdo principal

|Espanha

CIG frontalmente contra o acordo de «moderação salarial» com o patronato espanhol

Sánchez e Díaz congratularam-se com o acordo alcançado entre patronato, UGT e CCOO. A central sindical galega não se poupa nas críticas, classificando a concertação social como «fossa para enterrar direitos».
Créditos / CIG

As centrais sindicais UGT e CCOO assinaram, na sexta-feira, um acordo com a Confederação Espanhola de Organizações Empresariais (CEOE) que mantém os aumentos salariais em 4% para este ano e em 3% para 2024 e 2025.

Tanto o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, como a ministra do Trabalho, Yolanda Díaz, expressaram contentamento com o acordo alcançado pelos «agentes sociais» para «proteger os salários das pessoas trabalhadoras».

No mesmo dia, a Confederação Intersindical Galega (CIG) manifestou a «sua mais profunda rejeição do acordo», que denunciou como uma «imposição da contenção salarial», por via da qual se «impede a recuperação do poder de compra dos salários e se condena a classe trabalhadora a um maior empobrecimento, precisamente no momento em que as empresas acumulam os maiores lucros».

Paulo Carril, secretário-geral da CIG, disse que se trata de «um mau acordo» e acusou as centrais sindicais que o assinaram de terem cometido uma «renúncia grave», também para com as «suas próprias propostas».

Trabalhadores obrigados a assumir o ónus do custo da vida e da inflação

No entender de Carril, isto é tanto pior quando o acordo foi assinado depois de as centrais sindicais «terem feito anúncios de grandes mobilizações». Inclusive, CCOO e UGT «baixaram as propostas que apresentaram inicialmente, tanto a de aumento de base como a cláusula de revisão salarial, que é inexistente», disse, citado pelo portal da CIG.

Para Paulo Carril, esta imposição de contenção salarial implica que CCOO e UGT entendem que «os trabalhadores devem assumir, sozinhos e de forma injusta, o custo de vida e a inflação, empobrecendo mais os salários, enquanto as empresas estão a ganhar aquilo que nunca ganharam, continuando a acumular lucros milionários, como tem vindo a público nos últimos meses».

O secretário-geral da CIG sublinhou ainda que este acordo não pode ser um bom ponto de partida, «quando estamos a dar tudo nos convénios – e assim vamos continuar a fazer, acordo a acordo, para que os salários recuperem».

Neste sentido, recordou que, em 2022, a negociação colectiva na Galiza conseguiu que os maiores aumentos salariais se registassem ali, por comparação com qualquer território do Estado espanhol: 4,83% face à média de 3,94% no resto do Estado, e à frente de Navarra e da Comunidade Autónoma Basca – tudo graças à luta e à mobilização, que «vão ter de continuar».

Citado pelo portal da CIG, o dirigente sindical lembrou o apelo que a central galega fez às espanholas no Primeiro de Maio para que «abandonassem esta lógica e viessem para a rua, como em França».

«A luta é o único caminho para poder recuperar salários e não estas negociações», uma «concertação social que é uma verdadeira fossa em que se enterram os direitos», frisou.

Tópico

Contribui para uma boa ideia

Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.

O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.

Contribui aqui