A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, por ampla maioria, esta terça-feira, a realização de um debate em torno da necessidade de pôr fim ao bloqueio que os EUA impõem a Cuba.
Apesar de todas as pressões diplomáticas e chantagens da parte do Departamento de Estado e da delegação norte-americana para evitar a análise do tema, 136 países votaram a favor da sua realização e apenas nove se opuseram, enquanto 30 se abstiveram.
Ao intervir na sessão, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez, alertou que o bloqueio imposto pelos EUA ao seu país há quase sete décadas se intensificou nos últimos meses e está a matar e a sufocar silenciosamente, «constituindo um crime cruel».
«Os Estados Unidos levam a cabo uma guerra não convencional, que se tornou mais cruel», sublinhou o diplomata, chamando a atenção para o cerco energético actual, «equivalente a um bloqueio naval, a um acto de guerra, que impede o fornecimento de combustíveis a Cuba».
Rodríguez destacou ainda medidas inéditas, como o recurso a sanções secundárias, que têm como «guião macabro» provocar uma «crise humanitária e a desestabilização total do país».
Alertando para as ameaças de uma intervenção militar no seu país e as suas consequências, o diplomata salientou o agravamento recente do bloqueio, que nos últimos meses provocou grandes danos à população, por via da deterioração da qualidade de vida, da redução das fontes de subsistência, da limitação das potencialidades de desenvolvimento pessoal, familiar e social.
Bloqueio significa apagões, falta de água, aumento da mortalidade infantil
Ao justificar a necessidade e a urgência do debate solicitado, Rodríguez destacou os danos provocados pelo bloqueio às famílias cubanas, sobretudo às crianças e jovens, às mães, que sofrem com os «prolongados e insuportáveis apagões ou cortes de electricidade», que muitas vezes levam à falta de água potável, refere a Prensa Latina.
Ao nível da saúde, abordou a falta de medicamentos, a taxa de mortalidade infantil, que passou de quatro para 9,9 por cada mil nados-vivos, ou o aumento significativo do número de mortes entre os doentes oncológicos – no caso as crianças e jovens, a taxa de sobrevivência desceu de 85% para 65%.
«A tendência coincide com os momentos mais duros do cerco norte-americano. O bloqueio asfixia e mata de forma silenciosa», insistiu o diplomata, frisando que a resposta a este «crime cruel» é também uma responsabilidade das Nações Unidas.
«O governo dos Estados Unidos e, em especial, o seu Departamento de Estado divulgam a mentira de que o bloqueio não se destina ao povo cubano, mas apenas ao governo. Perguntem ao povo de Cuba sem não sofre com o bloqueio», declarou Rodríguez.
O mundo exige o fim do bloqueio dos EUA a Cuba
As pressões e ameaças norte-americanas fizeram pouco efeito na maior parte dos estados-membros, não só porque o debate sobre a necessidade de acabar com o bloqueio foi aprovado por ampla maioria, como também pelo facto de representantes de muitos países, a nível individual ou integrados em organismos internacionais, terem exigido o fim do bloqueio económico, comercial e financeiro imposto a Cuba.
Pronunciaram-se neste sentido, entre outros, os representantes de Vietname, Brasil, África do Sul, China, Venezuela, Índia, Rússia, Sri Lanka, Zimbabwe, Nicarágua, Angola, Namíbia, México ou Etiópia.
Também repudiaram o bloqueio norte-americano organismos como o Grupo de Amigos em Defesa da Carta das Nações Unidas, Movimento dos Países Não Alinhados, Comunidade das Caraíbas, Grupo dos 77 + China, Associação das Nações do Sudeste Asiático, Grupo Africano e Organização para a Cooperação Islâmica.
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