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|Governo PSD/CDS-PP

Jornadas Parlamentares da AD negam a realidade e alinhavam narrativas ideológicas

Sem Luís Montenegro, que foi a Dallas ver o jogo da selecção portuguesa, as Jornadas Parlamentares da AD contaram com Nuno Melo e Durão Barroso. Do presidente do CDS-PP foi vendido um país que não existe e do ex-presidente da Comissão Europeia foi definido o caminho para a ofensiva ideológica.

Créditos António Cotrim / Agência Lusa

A coligação AD (PSD e CDS-PP) deu início esta segunda-feira, 6 de Julho, às suas Jornadas Parlamentares em Cascais, sob o mote «Governar com resultados». Luís Montenegro esteve ausente porque se deslocou a Dallas, nos Estados Unidos, para assistir ao jogo dos oitavos de final do Mundial 2026 entre Portugal e Espanha, uma vez que segundo Hugo Soares é um «amuleto da sorte».

A verdade é que Portugal acabou eliminado e, na ausência do primeiro-ministro, o destaque recaiu sobre o presidente do CDS-PP e ministro da Defesa, Nuno Melo, e o antigo primeiro-ministro e ex-presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

Nuno Melo, ao seu estilo, demonstrou-nos a postura do Governo. No discurso de abertura da Jornadas Parlamentares o presidente do CDS-PP quis antecipar instabilidade política, deixando evidente qual será a narrativa do Executivo para os próximos tempos: «o facto é que já se antecipa por aí outra crise política», afirmou, vincando que «Portugal não merece, nem precisa de uma nova crise política», remetendo para a oposição a responsabilidade caso isso aconteça.

O discurso de Nuno Melo, de resto, foi tudo menos um mero exercício de retórica e procurou vincar os ângulos que serão puxados pelo Governo. Desde o chumbo das alterações à Lei da Nacionalidade à derrota do pacote laboral, o ministro da Defesa falou como se o seu Governo não governasse em minoria e culpou todos aqueles que se opõem à linha seguida.

A par das lamúrias, e apesar dos problemas graves em todos os sectores da governação, Nuno Melo quis, no entanto, puxar por um alegado sucesso governativo. «O que atingimos é simplesmente notável», começou por dizer, defendendo que o país vive hoje «tempos de crescimento económico» e que a AD tem «o direito legítimo de continuar este trabalho», quase como se fosse direito divino.

Já Durão Barroso falou sobre «a Europa e o mundo», deixando «algumas reflexões a partir de Portugal». Neste sentido, o homem que abandonou a chefia do Governo português quando viu uma janela de oportunidade de ir para a Comissão Europeia aproveitou o momento para tentar dar uma lição de «patriotismo», deixando as linhas ideológicas orientadoras para as comemorações dos 900 anos da Batalha de São Mamede.

«Quero saudar essa decisão do Governo de comemorar os 900 anos da nossa história, que é uma belíssima decisão tomada também pelas autoridades portuguesas. Temos o dever de reforçar o nosso sentimento de comunidade nacional, que alguns procuram colocar em causa, mas num sentido de abertura, e não num sentido de chauvinismo ou de xenofobia, ou num sentido de limitação». Com este apelo, Durão Barroso procurou que a AD se afastasse da extrema-direita, mas que não abdicasse do seu próprio tratamento histórico e da operação de ofensiva ideológica que o momento permite. 
Precisamente por isso, o ex-comissário europeu defendeu que os 900 anos da Batalha de São Mamede são um momento para Portugal assinalar a sua «vocação estratégica euro-atlântica», e assim como as «reformas» para a UE, porque a Europa necessita de ser capaz de defender os seus valores e os seus interesses.

«Somos naturalmente europeus e atlânticos e devemos afirmá-lo neste momento em que alguns duvidam disso», insistiu o homem que depois de sair da Comissão Europeia assumiu a presidência não executiva do Goldman Sachs International. 
 

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