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Sheinbaum promete resposta «para lá das notas diplomáticas»

Depois de outro cidadão mexicano ter sido morto a tiro por um agente do ICE, no Texas, a presidente mexicana disse que o seu país está a preparar «medidas jurídicas mais significativas».

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O migrante mexicano morto a tiro em Houston estava nos EUA há 35 anos e ia para o trabalho, revelou o filho Créditos / La Jornada

Em declarações aos jornalistas na Cidade do México, esta quarta-feira, Claudia Sheinbaum afirmou que o seu país não pode permitir que os compatriotas nos EUA sejam maltratados. «Por isso estamos a preparar "medidas legais mais significativas" que vão "além das notas diplomáticas"» e da queixa junto da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, disse.

Depois de um cidadão mexicano ter sido morto a tiro em Houston, no dia anterior, por um agente do Serviço de Imigração e Controlo de Alfândegas (ICE, na sigla em inglês), Sheinbaum afirmou que o México vai propor outras medidas, que «serão apresentadas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros». 

A chefe de Estado disse que os EUA «estão a responder» às medidas que já foram tomadas, «mas, de qualquer modo, houve outra morte trágica de um compatriota nos Estados Unidos devido a problemas de detenção, quando a sua única infracção foi não ter documentos, mesmo tendo sido contratado por uma empresa norte-americana».

Citada por La Jornada, Claudia Sheinbaum disse ainda que «não há motivo para que [os emigrantes mexicanos nos Estados Unidos] estejam em centros de detenção» ou para que «sejam alvo de violência».

«Portanto, sim, estamos a preparar medidas legais mais significativas», declarou, deixando no ar a possibilidade de recorrer a instâncias internacionais.

Outro imigrante morto a tiro pelo ICE

Na terça-feira, um cidadão mexicano, identificado como Lorenzo Salgado Araujo, foi morto a tiro por um agente do ICE, em Houston (Texas), quando, alegadamente, tentou escapar a uma operação de detenção migratória, informou o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês).

O mesmo organismo declarou que o Salgado Araujo ignorou as ordens dos agentes de imigração para parar e que tentou abalroar um deles, que disparou «em própria defesa». Os bombeiros informaram que o ferido, com uma bala no abdómen, foi levado para um hospital, onde veio a falecer.

Ronaldo Salgado, filho de Araujo, publicou nas redes sociais que o pai era um «homem mexicano trabalhador», em processo de obter uma autorização de trabalho, e que se encontrava há quase 35 anos nos EUA, laborando no sector da construção.

A congressista Sylvia Garcia, cujo distrito eleitoral abarca a zona do incidente mortal, defendeu que a família do homem falecido e os seus eleitores merecem uma explicação cabal e transparente dos factos, tendo acrescentado, na sua conta de Twitter (X), que a versão inicial divulgada pelas autoridades federais deve ser verificada de forma independente.

Detenções massivas e desconfiança em relação à «versão oficial»

Juan Proaño, director executivo da Liga dos Cidadãos Latino-americanos Unidos (LULAC), foi mais categórico, ao afirmar que a organização «não aceita de forma alguma a palavra do DHS». Proaño reivindicou uma investigação independente a cargo das autoridades locais e a publicação imediata das gravações do incidente.

A desconfiança de Proaño em relação à «versão oficial» é a mesma que têm expressado organizações de defesa dos migrantes, sublinhando que, em casos anteriores, essas versões das agências federais foram depois desmentidas por imagens gravadas dos incidentes.

De acordo com uma contagem realizada recentemente por La Jornada, que inclui tanto mortes sob custódia do ICE como falecimentos no quadro de operações migratórias, pelo menos 17 mexicanos perderam a vida nos EUA durante o segundo mandato de Donald Trump.

O caso de Houston ocorre num momento de intensificação da aplicação das leis migratórias nos EUA para cumprir a agenda de deportações massivas promovida pela actual administração. No final de Junho, refere o portal abc7news.com, o ICE efectuou mais de 10 mil detenções durante num período de cinco dias.

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