O início da Guerra Civil de Espanha (1936-39) foi há 90 anos, mas a União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) considera que o debate sobre o que aconteceu no país vizinho continua «inesgotável» e a memória «viva e agónica». Por isso, organizou um ciclo de conferências com a participação de escritores e historiadores em várias localidades. Esta quinta-feira, às 18h, na Casa do Alentejo (Lisboa), o convidado é José Hinojosa Durán, mas há também conferências amanhã, em Santarém, com Luís Farinha, e na Marinha Grande, novamente com José Hinojosa Durán, num programa que a URAP vem realizando desde finais de Junho.
A Guerra Civil de Espanha, tal como a URAP recorda na apresentação da iniciativa, fez milhares de mortos entre os combatentes espanhóis e brigadistas internacionais, entre os quais muitos portugueses, terminando com a vitória dos nacionalistas de Francisco Franco e uma ditadura que durou até 1975.
Durante os três anos de guerra, estima-se que houve 175 mil mortos na zona franquista e 110 mil na zona republicana. Dos cerca de 350 mil voluntários, das Brigadas Internacionais de 50 países, 15 mil terão morrido. Recorda ainda que, sob a designada «ameaça vermelha», Salazar intensificou no nosso país a «fascização do regime e abriu portas ao apoio descarado – em armas, alimento e vestuário – aos fascistas espanhóis».
Os nacionalistas ganharam a guerra bombardeando várias cidades, como Guernica, em 1937, que Picasso imortalizou como símbolo da Guerra Civil de Espanha, e conquistando as várias regiões de Espanha. «À medida que progrediam levavam a cabo execuções sumárias das populações, milhares das quais foram enterradas em valas comuns, sem que as famílias soubessem o seu paradeiro», assinala a URAP. A 1 de Abril de 1939, Franco anunciou o fim da guerra e instaurou uma ditadura que duraria até 1975, ano da sua morte.
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