No dia 24 de Setembro, dezenas de polícias (PSP e Polícia Municipal) e membros de diferentes serviços da Câmara Municipal do Porto (CMP) promoveram o despejo de cerca de 30 a 40 pessoas em situação de sem-abrigo que habitavam debaixo do Viaduto do Grijó, no Porto. O novo centro de pernoita em Lordelo foi preparado para receber quem vivia neste local.
Este equipamento municipal abre as portas diariamente entre as 20h30 e as 22h30, obrigando à saída sempre antes das 9h da manhã seguinte. A entrada não é garantida, sendo realizada por ordem de chegada (estão disponíveis 120 camas). Os utentes têm acesso a balneários, roupa, pequeno-almoço e atendimento social.
Em comunicado, a estrutura concelhia da CDU (PCP/PEV) na cidade do Porto contesta a solução policial encontrada para esta situação. «Transformar a pobreza, a dependência, a doença, a exclusão social e a ausência de habitação num problema de polícia, segurança e "limpeza" do espaço público não resolve nenhuma destas situações. Apenas retira as suas vítimas da vista»
É que «uma cama por uma noite não é uma casa». Ao contrário do que afirma Pedro Duarte, «dar uma cama durante algumas horas da noite é muito diferente de garantir uma habitação, estabilidade, acompanhamento de saúde, tratamento das dependências quando necessário, rendimentos, emprego e condições para reconstruir um projeto de vida», considera a CDU – e é «particularmente grave» que o presidente desta autarquia utilize expressões como «"seremos implacáveis" quando fala de algumas das pessoas mais vulneráveis da cidade».
«Implacável deve ser o combate às causas que empurram seres humanos para a rua», afirma a coligação que junta comunistas e ecologistas – «implacável deve ser a resposta aos salários e pensões insuficientes, às rendas incomportáveis, aos despejos, à especulação imobiliária e à falta de respostas públicas». O que Pedro Duarte faz não é mais do que «confundir quem provoca a desigualdade com quem sofre as suas consequências».
Rejeitando olhar para a pobreza «como uma ameaça à cidade», promover «a associação generalizada entre pessoas sem-abrigo e insegurança» ou aceitar «uma política de deslocação sucessiva das pessoas entre ruas, viadutos e outros espaços, deixando intactas as razões pelas quais continuam sem habitação», a CDU Porto defende antes que uma «cidade digna não é uma cidade onde a pobreza foi escondida», é sim uma cidade «onde ninguém precisa de dormir na rua».
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