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|Câmara Municipal do Porto

Porto: uma cidade em que lutar contra despejos é razão para despejar

A cumprir «ordens», a polícia desmantelou as tendas da Acampada do Porto pela Habitação na manhã desta segunda-feira. Solidário, o movimento Vida Justa relembra que, «tal como a habitação, a manifestação é um direito».

Porto  Créditos / Adérito Machado

A Acampada do Porto pela Habitação teve início no último sábado, na sequência das manifestações que se realizaram nesse dia em vários pontos do país. Várias tendas foram erguidas nesse protesto pacífico na Praça D. João I, no Porto, para reivindicar o fim dos despejos, a reversão imediata da Lei do Arrendamento (NRAU), o aumento do parque público de habitação, a imposição de um tecto para as rendas e a expropriação de imóveis de fundos imobiliários.

Menos de 48h depois, a Polícia Municipal do Porto e a PSP cercaram, durante a madrugada (pelas 6h30 da manhã), as tendas e, uma por uma, expulsaram quem nelas dormia, retirando as tendas do local. Ao Público, várias das pessoas presentes no local afirmaram ter recebido garantias de Pedro Duarte, presidente da Câmara Municipal do Porto (CMP), de que «não ia fazer nada» e que assegurava a «protecção e integridade física» de quem aderiu ao protesto.

Segundo o movimento Vida Justa, a polícia esteve a «retirar os pertences e a desmobilizar a manifestação sem apresentar mandado e sem qualquer alegação de desobediência», justificando a sua acção com «ordens» superiores e por se tratar de «uma ocupação ilegal da via pública».

A organização defende que, «tal como a habitação, a manifestação é um direito». A plataforma Casa Para Viver, que junta várias organizações e movimentos que lutam pelo direito à habitação em Portugal, convocou novas manifestações para o dia 14 de Novembro, Não nos vão roubar o direito a morar, na Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa, e na Praça do Marquês, no Porto.

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