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«Poupança de dezenas de milhões» ameaça a «credibilidade» dos exames nacionais

Fenprof/CGTP denuncia o cenário de improviso e soluções emergenciais testemunhado pelos professores no processo dos exames nacionais. O Governo «não pode esconder-se» das responsabilidades.

A despeito de sua crítica aos exames nacionais como instrumento de avaliação, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof/CGTP-IN) exige do Estado português «absoluto rigor, transparência e equidade para todos os alunos» enquanto estes continuarem a existir. Entretanto, o que se viu foi um «falhanço da reorganização do Ministério da Educação», relata a federação num comunicado.

As «anomalias» foram muitas e presentes em pelo menos duas etapas distintas do processo de correcção dos exames nacionais: a digitalização e a distribuição para os professores. O inédito modelo de correcção só havia sido posto à prova, em 2025, nos exames de Filosofia. Neste modelo, todos os exames são corrigidos digitalmente e o professor fica responsável por corrigir um único enunciado ao longo de diversas folhas de resposta de estudantes diferentes.

De acordo com a Fenprof, o «caos instalado» começou logo na convocação dos professores, onde docentes aposentados, docentes de outras escolas e de disciplinas fora da sua formação foram chamados para a correcção.

Quanto à digitalização das provas, observam-se diversos atrasos no recebimento, envios incompletos, páginas em falta e «um conjunto de problemas técnicos» que «se repetem de forma generalizada». «É particularmente grave que existam relatos de grupos de classificadores em que praticamente ninguém recebeu a totalidade das provas em condições adequadas», denuncia a federação com preocupação.

Também sobre esta etapa, e em sentido contrário à prometida modernização dos processos de correção, a Fenprof avança saber de «soluções improvisadas e de emergência» no centro de digitalização, onde «trabalhadores terão sido recrutados por mensagem» para o manuseio das folhas de resposta e que a «pressão do processo» está a ser respondida com horas extraordinárias.

A desresponsabilização é «inaceitável»

Para a estrutura sindical, não há dúvidas sobre quem recaem as responsabilidades do que está a acontecer, sendo impossível para o Governo «esconder-se atrás de organismos intermédios». A reestruturação política e administrativa do Ministério da Educação, Ciência e Inovação «ameaça a credibilidade dos exames nacionais» e coloca em questão a «anunciada poupança de dezenas de milhões de euros». «Poupar recursos à custa do funcionamento da administração educativa, da capacidade de resposta às escolas e da qualidade da avaliação externa não representa uma reforma; representa uma degradação do serviço público», afirmam os professores.

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