«Manifesta o seu profundo pesar pelas centenas de vítimas inocentes no ataque de 7 de Outubro de 2023, pelas mais de 70 mil vítimas mortais causadas nos últimos três anos na Palestina e pelas demais vítimas no Médio Oriente causadas pela política de colonização e genocídio de Israel, expressa a sua solidariedade para com o povo palestiniano e insta à imediata concretização do Estado da Palestina e a uma paz justa e duradoura em toda a região.» Apesar da abrangência, o voto de pesar levado a votação no Parlamento, pelo PCP e pelo BE, acabou chumbado.
Acrescentava que, «três anos de agressão militar sobre a população palestiniana em Gaza impõem a evocação de todos os vitimados pela violência de Israel, bem como das vítimas inocentes dos ataques de 7 de Outubro de 2023», mas esse não foi o entendimento nas bancadas dos partidos que suportam o Governo (PSD e CDS-PP), do Chega e da Iniciativa Liberal, que votaram contra. O deputado do PS, Pedro Delgado Alves, absteve-se.
O documento recordava as palavras do secretário-geral da ONU, António Guterres, de que os ataques do Hamas «não aconteceram num vazio», lembrando as décadas de «ocupação sufocante», durante as quais o povo palestiniano «tem visto a sua terra ser sistematicamente devorada por colonatos e sujeita à violência», sem esperanças numa solução política. E identificava os governos de Israel como os «autores de décadas de crimes e da rejeição da aplicação das resoluções da ONU e dos acordos internacionais que determinam a concretização do Estado da Palestina, e os que os apoiam e com eles são cúmplices».
Cientes de que «a barbárie desencadeada contra os palestinianos, antes e após os ataques de 7 de Outubro, constitui um crime de enormes proporções», os proponentes admitiam que o pesar deveria abranger «todas as vítimas que resultam da política de ocupação israelita, independentemente da sua nacionalidade».
Alertavam, por outro lado, que «isolar os acontecimentos de 7 de Outubro, sem condenar a negação dos direitos dos palestinianos e os crimes cometidos por Israel ao longo de décadas», como se viu no voto de pesar apresentado por deputados do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-Israel (PSD, Chega e CDS-PP), aprovado por todos os partidos, salvo o PCP e BE, que se abstiveram, representava «um acto de falsificação histórica e de sonegação do genocídio perpetrado contra este povo».
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