Uma reportagem exibida num canal de TV israelita no dia 12 deste mês mostra Israel Katz e outros altos funcionários a celebrarem abertamente a devastação total de Gaza, o massacre de palestinianos e a sua deslocação forçada para cidades de tendas perto da praia.
«O importante é que bairros como Jabaliya e Shujaiyya, de que só controlávamos uma parte, estão destruídos. Em ruínas», declarou Katz durante uma visita à Faixa de Gaza com militares e jornalistas, refere o portal The Cradle.
«Quando vê Gaza destruída desta forma, como se sente?», perguntou-lhe um jornalista.
«Como me sinto? Sinto-me bem. Tudo isto é o resultado de uma política deliberada que [foi planeada] para eliminar as ameaças», respondeu Katz.
«Em vez do método das incursões – entrar, sair e o Hamas a regressar –, o exército de Israel está dentro, os residentes estão fora e as casas estão destruídas», disse, numa reportagem a que se pode assistir na íntegra na conta de Twitter (X) de Genocide Archives.
Genocídio confirmado e dito em voz alta
Desde o início da ofensiva genocida contra a Faixa de Gaza, em Outubro de 2023, as forças de ocupação sionistas destruíram a maior parte do território por via de bombardeamentos e demolições, deixando pelo menos metade dos dois milhões de palestinianos ali residentes sem casa e obrigando-os a viver em tendas improvisadas perto do mar.
Com base num excerto da reportagem publicado pelo Middle East Eye, o professor universitário italiano Lorenzo Kamel destacou que as declarações de Katz confirmam que «a destruição em Gaza é "o resultado de uma política deliberada"».
«Numerosos dirigentes explicitaram a intenção de destruir – total ou parcialmente – um grupo nacional, impondo condições que visam provocar a sua destruição física total ou parcial», sublinhou o académico italiano na sua conta de Twitter (X), junto a uma publicação do vice-presidente do Knesset, Nissim Vaturi, a reclamar que Gaza fosse arrasada.
Mais de 70 mil «terroristas» mortos
Publicamente, Israel tentou justificar o massacre de palestinianos e a ocupação da Faixa de Gaza afirmando que está a combater o Hamas, lembra a fonte. No entanto, Katz frisou que, mesmo que o Hamas seja desarmado, Israel não porá fim à ocupação de Gaza.
«Não vamos recuar da Linha Amarela, inequivocamente, enquanto o Hamas não se desarmar verdadeiramente. E, mesmo depois disso, vamos continuar em Gaza!», declarou.
Por seu lado, um oficial de alta patente referiu-se aos mais de 70 mil palestinianos mortos pelos ataques israelitas como «terroristas».
«Não sei como descrever esta situação a não ser como uma vitória… Quando se controla 65% do território [da Faixa de Gaza], quando 70 mil terroristas foram mortos aqui, quando a maioria da população está na praia desde então», declarou na reportagem Tamir Yadai, vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel que The Cradle cita.
Ocupação para durar num chamado «cessar-fogo»
Israel reconhece assim o número de mortos divulgado pelo Ministério da Saúde em Gaza, que este sábado já chegava a 73 269, a maioria dos quais mulheres e crianças. Há, no entanto, estimativas independentes que sugerem que o número real de palestinianos mortos pelas forças sionistas de ocupação desde o início do genocídio é muito maior, na casa das centenas de milhares.
Yadai congratulou-se com a ocupação militar israelita de Gaza pelo «segundo Verão consecutivo», afirmando que as suas tropas gozam de «total liberdade de operação», refere The Cradle, com base na reportagem em hebraico.
Por seu lado, Yaniv Assor, comandante do comando militar sul sionista, congratulou-se com os assassinatos de palestinianos por Israel, tendo-se vangloriado de que, desde o início da guerra de agressão dos EUA e Israel contra o Irão, no final de Fevereiro, Israel levou a cabo 300 assassinatos selectivos na Faixa de Gaza, refere a mesma fonte.
Desde que o chamado «cessar-fogo» entrou em vigor na Faixa de Gaza, em Outubro do ano passado, as forças de ocupação mataram pelo menos 1144 palestinianos e deixaram pelo menos 3703 feridos, em ataques quase diários contra o enclave, incluindo os campos de tendas para deslocados.
«Modelo de Rafah» aplicado ao Sul do Líbano
O ministro israelita da Defesa vangloriou-se também da destruição de aldeias no Sul do Líbano, estabelecendo um paralelo entre o que Israel faz agora no Líbano e o que tem feito na Faixa de Gaza.
Participando num podcast, disse que Israel está a aplicar o «modelo de Rafah» ao Sul do Líbano, onde dezenas de aldeias na região fronteiriça com os territórios palestinianos ocupados em 1948 (hoje Israel) foram arrasadas, com recurso a bulldozers e explosivos, e onde se estima que entre 15 mil e 20 mil casas tenham sido destruídas.
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