Passar para o conteúdo principal

|pacote laboral

Montenegro recebido em Braga com protestos contra o pacote laboral

O ambiente de contestação ao primeiro-ministro e ao Governo está a intensificar-se. Luís Montenegro participou na Cimeira da Indústria, em Braga e, à entrada do Theatro Circo, foi recebido com assobios, gritos e palavras-de-ordem contra o pacote laboral.
 

Créditos Hugo Delgado / Agência Lusa

O primeiro-ministro deslocou-se a Braga para participar na Cimeira da Indústria, uma iniciativa conjunta da Associação Empresarial do Minho e do Observador, que visa promover «um debate sobre os desafios da indústria para o crescimento da economia», mas que não conta com a participação dos trabalhadores, aqueles que tudo produzem.

No evento em si, Luís Montenegro não colocou nada de novo. O chefe do Executivo, aproveitou que estava a falar para os representantes dos grandes grupos económicos e tudo o que disse foi no sentido da defesa dos seus interesses, seja pela redução da carga fiscal, classificando-a como uma «mudança estratégica e estruturante do país», seja pela insistência do agravamento dos instrumentos de exploração dos trabalhadores, como é exemplo o outsourcing e o banco de hora individual.

Ignorando o facto de Portugal ser o quinto país da UE com a carga horária semanal mais elevada, numa média de 39,7 horas por semana, conforme se pode ler no site oficial do Executivo, «Luís Montenegro rejeitou críticas às alterações propostas pelo Governo, considerando que medidas como o banco de horas podem ajudar as empresas a responder a novas oportunidades de mercado, preservar emprego e aumentar rendimento».

Se dentro do Theatro Circo, local onde se realizou o evento, os trabalhadores foram chamados a falar sobre a sua vida, os mesmos fizeram-se ouvir à porta do local onde se realizou o evento do grande patronato, sendo que o momento alto foi a dura recepção feita ao primeiro-ministro.

O protesto, marcado pela União dos Sindicatos do Distrito de Braga da CGTP-IN, para além de ilustrar bem a luta de classes, com os patrões ao sentados ao fresco a discutir a forma de aumentar a exploração e os trabalhadores na rua a lutar por uma vida melhor, foi também reflexo da atmosfera que se vive no país, com o Governo da AD alvo de duras críticas em vésperas de uma greve geral que se realizará no próximo dia 3 de Junho.

À chegada de Luís Montenegro, as dezenas de manifestantes não foram parcos nas palavras. De forma ruidosa, entre assobios e apupos, os trabalhadores entoaram cânticos contra o pacote laboral: «Não vamos desistir, o pacote é para cair» e «o ataque é brutal contra a greve geral» foram algumas das frases gritadas contra o chefe do Executivo. 
 

Tópico

Contribui para uma boa ideia

Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.

O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.

Contribui aqui