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CGTP-IN: «na vida de quem trabalha, tudo foi (e é) conquistado a pulso»

Milhares participaram hoje nas 3 manifestações convocadas pela CGTP. Em Lisboa, Tiago Oliveira realçou que, independentemente do resultado eleitoral, é no «confronto de classes» que a central sindical se continuará a afirmar.

Manifestantes participam na manifestação nacional organizada pela CGTP-IN em Lisboa, reunindo trabalhadores dos distritos de Setúbal, Santarém, Portalegre, Beja, Évora e Faro. De manhã, outros milhares aderiram aos protestos convocados para Coimbra e Porto. 5 de Abril de 2025 
CréditosManuel de Almeida / Agência Lusa

Foram muitos milhares de trabalhadores, de todos os distritos de Portugal continental, a desfilar nas ruas de Coimbra, Porto e Lisboa, em resposta à convocatória da CGTP-IN por mais salários e melhores pensões. É esta «a força de quem tudo transforma, quem tudo produz, quem tudo constrói», afirmou Tiago Oliveira, secretário geral da central sindical, no final da acção em Lisboa.

No discurso realizado perante os trabalhadores dos distritos de Setúbal, Santarém, Portalegre, Beja, Évora, Lisboa e Faro que convergiram no Cais do Sodré, Tiago Oliveira destacou os muitos combates travados recentemente em centenas de locais de trabalho espalhados por todo o País. Um «confronto de classes» travado em «circunstâncias muito complicadas, com o patronato a ter uma postura de bloqueio negocial, de obtenção do lucro máximo à custa de quem trabalha».

O destaque recaiu sobre os trabalhadores da Veolia e da Rangel, empresas que prestam serviços à Super Bock, que alcançaram nas últimas semanas aumentos salariais de 300 e 140 euros respectivamente (na Rangel, o patronato foi ainda obrigado a aceitar um aumento de mais 130 euros em 2026). No início do ano, antes da acção reivindicativa dos trabalhadores, as administrações destas empresas nem aceitavam, sequer, começar as negociações.

«Temos feito muito, camaradas», e não é a queda do Governo PSD/CDS-PP que vai parar a luta dos trabalhadores. «Para além das grandes lutas em curso dos trabalhadores vidreiros», com adesões que chegam aos 100%, na BA Glass, na Vidralia, na Santos Barosa, Tiago Oliveira destaca os combates travados pelos trabalhadores «da INCM, da Nobre, da Schmitt, da TKE, da Carris, da Cabelte».

Na próxima semana têm início greves na ESIP, na Sumol+Compal e nas Lojas e Centros de Contacto do Grupo EDP.

«É exactamente em momentos como este que os trabalhadores têm de se fazer ouvir»

Outro foco da intervenção do secretário-geral da CGTP-IN predeu-se nas eleições Legislativas de 18 de Maio. Momento ideal para que os trabalhadores façam ouvir, e valer, as suas reivindicações, considera Tiago Oliveira.

«Há que perceber que, por detrás de qualquer problema, existem opções políticas que foram tomadas e que nos conduziram aqui». Um caso evidente é o da degradação do SNS, um processo que «interessa aos mesmos de sempre». «É com este percurso de enfraquecimento, de debilidade na resposta, de ataque aos profissionais da saúde, de encerramento de valências e de meios, que depois conseguem justificar o que acabaram de fazer: oferecer 5 Unidades Locais de Saúde, agregando mais de 174 centros de saúde, às Parcerias Público-Privadas.

Com estas opções políticas, podes o capital «esfregar as mãos de contente». Todo o dinheiro que, insistem, não havia para injectar no serviço público, «passou a existir para injectar no sector privado», denunciou Tiago Oliveira, destacando ainda a opção de sucessivos governos PS ou PSD/CDS-PP em entregar mais de 50% do dinheiro consignado no Orçamento do Estado para a saúde aos grupos privados

«Não vamos aceitar que nos continuem a dizer que nunca há dinheiro para aumentar salários, mas, entretanto, reduzam o IRC para as empresas em mais de 360 milhões de euros. Não vamos aceitar que nos digam que temos que abdicar de mais direitos para responder sempre aos interesses do capital. Os trabalhadores é que criam a riqueza, são o valor dum país, precisam de ser respeitados e valorizados! Não vamos aceitar que destruam os serviços públicos com o único objectivo de promover e encher o bolso aos grupos privados, em grande parte multinacionais».

Passado, presente e futuro, no final da sua intervenção, o secretário-geral da CGTP-IN deixou uma nota de confiança, reafirmando junto dos trabalhadores o compromisso da central sindical e os seus sindicatos na «defesa intransigente» de tudo o que é mais premente na vida dos povos e dos trabalhadores: «a paz, o desenvolvimento, o respeito por quem trabalha e trabalhou e a erradicação da exploração».

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