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Tomar tem mais de dez mil cartas por distribuir, acusa sindicato

O SNTCT denunciou esta segunda-feira, na Assembleia Municipal de Tomar, distrito de Santarém, que há actualmente mais de dez mil cartas por distribuir no concelho, onde faltam 12 carteiros.

Os CTT, uma empresa pública rentável para as contas do Estado, foram privatizados em 2013 e 2014 pelo governo do PSD e CDS-PP Créditos Bruno Almeida

«Esta é mais uma prova de que a privatização dos CTT não serviu para melhorar o serviço postal e universal, mas para transformar um serviço público prestado aos cidadãos num instrumento de geração de lucros para interesses privados», acusa o Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT/CGTP-IN), num comunicado divulgado ao final da manhã desta quarta-feira. 

No concelho de Tomar, a degradação do serviço postal confirma-se, segundo o SNTCT, por haver actualmente mais de dez mil cartas por distribuir, conforme denunciou na sessão da Assembleia Municipal de 28 de Setembro. Mas já foram mais do dobro. O sindicato revela que, quando teve conhecimento do atraso na distribuição do correio, «o número de cartas por distribuir ultrapassava as vinte mil», e que, «apesar dos alertas» efectuados, os responsáveis da empresa «negaram a existência do problema». 

O SNTCT frisa que a situação «é concreta» e exige a reposição da normalidade do serviço. Mas regista que faltam 12 carteiros no concelho de Tomar, situação que atribui à «degradação das condições de trabalho nos CTT». Este cenário, critica, repete-se «um pouco por todo o País», apesar dos lucros obtidos pela empresa nos últimos anos. O sindicato declara que a opção da empresa «tem sido gerar lucros para os accionistas privados e remunerar generosamente os administradores», recordando que, de acordo com o Relatório de Contas, em 2026, o presidente dos CTT «auferiu, por dia, um valor equivalente a mais de 2900 euros». 

No seguimento da advertência do SNTCT, esta segunda-feira, o presidente da Câmara de Tomar anunciou que vai reunir-se em Novembro com os responsáveis dos CTT. O sindicato reage vincando que a intervenção do SNTCT «é diária» e tem como objectivo «melhorar o serviço público postal que a empresa está obrigada a prestar e ao qual os cidadãos têm direito».

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