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Commedia a La Carte Fest: «o genocídio não é uma comédia»

Em comunicado, o MPPM «repudia as manobras de insulto e difamação em curso que visam intimidar quem ousa desafiar o silêncio cúmplice em que se pretende mergulhar os crimes de Israel».

Desde o início do mês de Setembro, diversos grupos, artistas e comediantes cancelaram as suas actuações no Commedia a La Carte Fest, um festival de comédia patrocinado pela MEO e fundado por César Mourão. O Conjunto Cuca Monga (banda integrada por 20 músicos de diferentes conjuntos da editora com o mesmo nome; dos Capitão Fausto aos Ganso) e o espectáculo Tributo Pop (Carolina Deslandes, Tatanka e Bárbara Tinoco) foram os primeiros a desistir, seguindo-se Cebola Mol (Eduardo Madeira e Filipe Homem Fonseca), Inês Aires Pereira, Pedro Tochas e Vhils.

Em causa está a participação de Jerry Seinfeld, comediante norte-americano, como cabeça de cartaz. Seinfeld é um apoiante «incondicional e acrítico» do Estado de Israel, recusando-se a «reconhecer os direitos dos palestinos, que nega a existência de um genocídio e afirma que "a Palestina não existe"», refere nota do Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e a Paz no Médio Oriente (MPPM).

O movimento louva a «atitude digna e vertical dos artistas portugueses que, em número crescente, se recusam a partilhar o palco com uma figura destacada dessa campanha».

Há pouco mais de um ano, Seinfeld comparou, num evento público realizado na Universidade de Duke, o movimento pela libertação da Palestina com o Ku Klux Klan, um histórico movimento de supremacia branca nos Estados Unidos. «Ao dizer "Palestina Livre", não estás a admitir o que realmente pensas», afirmou o comediante. «Por isso, na verdade – comparando com o Ku Klux Klan –, acho que o Klan é até um pouco melhor neste aspecto, porque eles conseguem dizer abertamente: "Não gostamos de negros, não gostamos de judeus." OK, isso é honesto».

Logo após o ataque de 7 de Outubro de 2023, Seinfeld foi uma das primeiras celebridades a fazer a romaria a Israel, tendo-se comprometido a sensibilizar o mundo sobre a questão dos reféns. Meses depois, a família de Seinfeld doou 5 mil dólares a um grupo sionista que organizava contra-protestos contra manifestações pelos direitos do povo palestiniano em várias universidades nos EUA

Em 2018, o comediante visitou, com a mulher e os filhos, um campo de treinos das forças de ocupação israelitas, onde se fez fotografar, armado, com soldados das IDF. Uma das actividades promovidas no campo envolve disparar contra imagens de palestinianos.

Os muitos artistas que se recusaram a participar limitam-se a exercer «o seu legítimo direito de não querer compactuar com quem simboliza o discurso legitimador do genocídio», considera o MPPM, que saúda e solidariza-se com a decisão que tomaram. A organização apela a uma «reflexão sobre que significa de cumplicidade com a política sionista israelita a participação em tal evento, quer como artista, quer como espectador».

O MPPM «continuará a defender intransigentemente o reconhecimento e efectivação dos direitos nacionais do povo palestino, integrando o grande movimento internacional de solidariedade com a sua luta e responsabilizando todos os que contribuem para armar, financiar e justificar o programa em curso de colonização e limpeza étnica da Palestina». A organização convocou, com a CGTP-IN e o CPPC, uma nova manifestação em solidariedade com o povo palestiniano para o dia 10 de Outubro, às 15h, em Lisboa.

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