Movimentos estudantis, sobreviventes e familiares das vítimas saíram ontem à rua na Província de Buenos Aires e no Município de Lomas de Zamora, na Argentina, para homenagear os dez estudantes do Ensino Secundário sequestrados em 16 de Setembro de 1976, em La Plata, por reivindicarem direitos como a reposição do passe estudante.
«Temos de continuar a sensibilizar as pessoas para tudo o que aconteceu, porque se dissermos "os lápis continuam a escrever", há quem não entenda a mensagem», justificou um jovem em declarações ao Conclusión. «Há cada vez menos testemunhas. Agora são os netos [das vítimas], já foram os filhos, e agora cabe-nos continuar esta luta», acrescentou.
A «Noite dos Lápis»
O sequestro foi uma tentativa de silenciar o movimento estudantil argentino, que se mostrava bem combativo, e que apenas alguns meses antes do golpe tinha conquistado o direito ao passe estudante. Quando os militares tomaram o poder, em Março de 1976, essa foi uma das primeiras medidas anuladas.
Em Agosto de 1976, um relatório identificou alguns líderes do movimento, classificando-os como parte de um «potencial foco de subversão». No mês de Setembro, dez jovens entre os 16 e os 18 anos foram levados das suas casas por grupos especiais do exército e da polícia da província de Buenos Aires, e torturados em centros de detenção clandestinos. Seis dos sequestrados foram considerados desaparecidos, somando-se às mais de 30 mil pessoas, vítimas da ditadura militar de Jorge Rafael Videla, cujo paradeiro nunca foi conhecido. Os quatro sobreviventes foram essenciais para que o caso se tornasse conhecido, em 1985.
O dia 16 de Setembro foi o mais brutal e, por isso, a data escolhida, em 2014, para celebrar o Dia dos Direitos dos Estudantes Secundários.
Quase duas dezenas de oficiais foram acusados em 2011 de crimes contra a humanidade por terem participado na «Noite dos Lápis». Em 1986, a história deste macabro episódio foi levada ao cinema por Héctor Oliveira.
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