Brisa Marinha
Oh! a carne é um tédio, e li todos os livros.
Fugir! Fugir além! Sinto bêbados pássaros
Por entre a desconhecida espuma c os céus!
Nada, nem velhos jardins nos olhos seus
Retém o coração que nas vagas se deita
Oh noites! nem da minha lâmpada a luz deserta
Sobre o papel vazio que defende
Nem a jovem mulher que o peito ao filho estende.
Partitei! Vapor que baloiças o teu mastro
Ergue a âncora, um exótico rastro!
Um Enfado, por anseios cruéis afligido
Ainda crê no supremo adeus do lenço erguido!
Talvez os mastros, que chamam os temporais
Sejam desses que o vento dobra sobre finais
Naufrágios, sem mastros, nem ilhas pujantes.
Mas ouve, oh coração meu, cantar os mareantes!
Stéphane Mallarmé, tradução Filipe Jarro
E o mundo é a nossa tarefa é uma escolha semanal de Manuel Augusto Araújo.
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