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|Índia

Resistência popular aos centros de dados de IA na Índia

Em Visakhapatnam (Sudoeste da Índia) está a crescer o movimento contra os grandes centros de dados de inteligência artificial (IA), denunciando o impacto destes projectos nas vidas das pessoas e no ambiente.

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Tem aumentado a oposição aos centros de dados de IA em Andra Pradexe, bem como a sensibilização para os seus impactos Créditos / breakthroughnews.org

Têm-se sucedido os protestos e as reuniões públicas para sensibilizar as pessoas em Visakhapatnam (cidade também conhecida como Vizag, no estado de Andra Pradexe) para os projectos de grandes centros de dados, comparando os seus eventuais benefícios económicos com os custos envolvidos, nomeadamente o esgotamento dos recursos hídricos, a poluição e o aumento das temperaturas. 

No passado dia 19 de Julho, dezenas de habitantes e activistas vieram para as ruas da cidade para contestar os centros de dados e exigir a sua retirada. Os manifestantes alegam que, quando estiverem a funcionar em pleno, irão prejudicar o seu acesso a recursos essenciais, como a água, a electricidade e ar puro.

A 6 de Agosto, as forças de segurança prenderam dirigentes de partidos de esquerda e outros activistas que foram expressar solidariedade às pessoas que enfrentam problemas como deslocação forçada e escassez de água devido à construção do centro de dados em Tarluvada, nas imediações da cidade.

A polícia também interveio, a 9 de Agosto último, para interromper a campanha de sensibilização levada a cabo por activistas junto de pessoas que frequentam a praia de Visakhapatnam.

Apesar disso, os activistas organizados pelo Stop Vizag Data Centers, pelo Fórum dos Direitos Humanos e outros grupos semelhantes realizaram várias convenções e reuniões públicas, tanto presenciais como online, refere o portal BreakThrough News.

No âmbito destas iniciativas, os organizadores lançaram uma petição para exigir a paragem imediata dos projectos já aprovados, bem como uma maior participação pública e transparência na questão.

Apesar da falta de sensibilização pública para os centros de dados de IA no país, da recusa dos grandes meios de comunicação em abordar o tema e das tentativas do governo para silenciar qualquer forma de resistência, mais de 16 200 pessoas já assinaram a petição desde o seu lançamento, há cerca de um mês.

Impacto ambiental e condições de vida

O governo de Andra Pradexe já aprovou vários centros de dados de IA, com uma capacidade de 6,5 mil milhões de watts (gigawatts ou GW) no estado, sobretudo nos arredores da cidade de Vizag, sendo que grande número destes centros está a ser construído junto a cursos de água e nas colinas ecologicamente sensíveis que circundam a cidade.

O centro de dados Google-Adani é um desses projectos, com uma capacidade total de 1 GW dividida em três locais diferentes, sendo o maior deles um centro de dados de 512 milhões de watts (megawatts ou MW) no reservatório de água de Adavivaram-Mudasarlova, refere a fonte.

Os activistas alegam que a albufeira de Mudasarlova, a 120 metros do centro de dados, já está a secar porque a sua área de captação foi vandalizada, houve árvores derrubadas e terreno desmatado ainda antes de o governo ter concedido a licença ambiental necessária.

O boom dos centros de dados em Andra Pradexe ocorre numa altura em que o governo indiano promove políticas de incentivo à construção destes centros, procurando capitalizar a ampla rejeição que enfrentam na Europa e na América do Norte como uma oportunidade para tornar a Índia um polo para tais investimentos.

O governo indiano concedeu uma isenção fiscal de 20 anos a todos estes investimentos e eliminou por completo a necessidade de licenças ambientais para a maioria dos projectos, denuncia a fonte.

Acrescenta que alguns dos centros de dados propostos, como o da Amazon em Thane (estado de Maharashtra), que também enfrenta resistência popular, foram classificados como «serviços essenciais» pelo governo estadual, «o que significa que terão prioridade sobre a população em geral no fornecimento de água e electricidade durante períodos de escassez».

Em Vizag, a maioria destes projectos está localizada perto das colinas que rodeiam a cidade e levará à desflorestação e à erosão do solo, provocando alterações de fundo no ambiente local. «Mudasarlova é uma fonte crucial de água potável para a cidade e a construção neste local ameaça o fluxo natural de água para a albufeira», refere a petição, acrescentando que «a desflorestação e a construção intensiva ameaçam a segurança hídrica, a biodiversidade e a estabilidade ambiental da cidade».

Existem também preocupações com os vários tipos de riscos gerados por estes centros de dados, incluindo a poluição sonora e o aumento das temperaturas devido à utilização constante de grandes processadores.

As pessoas antes do lucro

O governo, no entanto, continua a minimizar o possível impacto, com o ministro-chefe do estado, Chandrababu Naidu, a classificar recentemente a campanha contra os centros de dados como «falsa».

Tentou também «enganar» a população, ao afirmar que três novos centros de dados recentemente aprovados no estado, com uma capacidade superior a 2,5 mil milhões de watts, necessitariam apenas de 3,5 mil milhões de pés cúbicos (TMC) de água, sem reconhecer que isso representaria metade de toda a água consumida pelos mais de quatro milhões de habitantes da cidade de Visakhapatnam.

Os signatários da petição afirmam que, uma vez construídos, os centros de dados de IA com uma capacidade de 6,5 GW consumiriam tanta electricidade como todo o estado de Andra Pradexe, com cerca de 54 milhões de habitantes, consome actualmente.

«A enorme procura de terra, água e energia [que estes projectos geram] corre o risco de sobrecarregar as infra-estruturas regionais e acelerar a degradação ecológica a uma escala sem precedentes», declara o texto, no qual se exige que todas as actividades ambientalmente destrutivas relacionadas com os projectos sejam imediatamente interrompidas, e que se proceda à divulgação pública de todas as informações relevantes.

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