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|Itália

100 mil marcharam em Roma contra a precariedade

A Confederação Geral Italiana do Trabalho, em conjunto com a coligação Via Maestra, manifestou-se contra a austeridade e por melhores salários, numa acção que juntou 100 mil trabalhadores, jovens, estudantes e reformados, e onde foi anunciada uma greve geral. 

Créditos / La Provinciaonline

A partir do palco instalado na Piazza del Popolo, em Roma, o secretário-geral da Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL), Maurizio Landini, anunciou no passado sábado a convocação de uma greve geral para o próximo dia 20 de Novembro, marcando uma nova etapa no combate ao governo de extrema-direita liderado por Giorgia Meloni.

«Colocamo-nos à disposição deste processo democrático de mudança que recoloca no centro o trabalho, os direitos e a justiça social. Ninguém nos vai parar», afirmou Landini perante uma praça repleta de trabalhadores e outras camadas da população.

O secretário-geral da maior central sindical italiana denunciou a deterioração acelerada das condições de vida das classes populares no país enquanto o executivo italiano recusa valorizar os salários e as pensões, optando por favorecer o grande patronato e os interesses especulativos.

Landini sublinhou a profunda injustiça fiscal do sistema italiano, onde a força de trabalho e os reformados suportam a esmagadora maioria da carga tributária, com taxas que atingem os 40%, enquanto o rendimento do capital e a especulação financeira mantêm privilégios e taxas reduzidas para metade. A CGIL exige a aplicação de uma taxa sobre as grandes fortunas (que incida sobre as 500 mil maiores fortunas do país) para financiar a saúde pública, a educação e a habitação, canalizando verbas que actualmente vão para o grande capital.

A par da perda de poder de compra, o sindicato denunciou a chaga social da sinistralidade laboral. «Temos uma guerra em casa, com três mortos por dia nos locais de trabalho. Não é azar; é o modelo de negócio patronal que mata, assente em subcontratações, precariedade e trabalho ilícito», vincou Landini, exigindo a revogação das leis de flexibilização laboral impostas nos últimos anos.

Um dos eixos centrais do discurso e das reivindicações da marcha foi a oposição frontal à militarização e ao envolvimento do país e da União Europeia em conflitos armados. Para a CGIL, o surto inflacionário e a degradação das condições sociais estão diretamente ligados à escalada de guerra no continente e no mundo.

O sindicalista alertou ainda para as derivas autoritárias do actual governo italiano de extrema-direita que procura desmantelar os princípios da Constituição italiana de 1948, nascida da resistência antifascista.
 

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