Passar para o conteúdo principal

|França

Irreverência juvenil francesa munida pela razão de uma luta corajosa

Estudantes de 400 escolas, inseridos num amplo movimento popular, tomaram nas suas mãos o destino das suas vidas e exigem melhores condições para o Ensino, mas também o fim da austeridade. Neoliberalismo macronista cada vez mais impopular. 
 

A tensão social é cada vez maior e não faltam razões para o justificar. A política de Emmanuel Macron e do Governo de Sébastien Lecornu apresenta-se não só incapaz de contrariar a grave crise em que a França está mergulhada como fustiga, ainda mais, a classe trabalhadora, enquanto privilegia os grandes grupos económicos.

Havia já diversos indicadores que apontavam à impopularidade de Macron, no entanto, este, com os diversos governos ilegítimos que tem conduzido, que não tem vergonha de criar pontes com a extrema-direita, está a ver o combate necessário a ser travado nas ruas.

Na passada semana os trabalhadores franceses responderam ao apelo das principais centrais sindicais e realizaram uma forte greve contra a política de austeridade que assola o país. Segundo o Ministério do Interior, cerca de 200 mil pessoas participaram em mais de 170 manifestações em todo o país, sendo quase 30 mil em Paris. A Confederação Geral do Trabalho (CGT), estimou 300 mil pessoas, incluindo 70 mil na capital.

Além da batalha dos números, o que a realidade comprovou foi uma forte predisposição
ao popular para lutar por uma política alternativa, por aumentos salariais, melhoria nas carreiras e investimento nos serviços públicos.

As massas juvenis a seguir a vanguarda, os trabalhadores

A esta mobilização dos trabalhadores seguiu-se uma grande resposta do movimento estudantil do Ensino Secundário. Enquanto a direita e extrema-direita procuram manipular e distorcer acontecimentos isolados e descontextualizados para desviar o foco das motivações que levaram os jovens a sair à rua, a realidade comprova que, da parte dos estudantes há vontade de alterar o rumo do país.

Num fenómeno que começou em 40 escolas, certo é que o caudal reivindicativo aumentou brutalmente e, o que podia parecer um epifenómeno, ganhou dimensões impossíveis de ignorar com mais 400 escolas foram trancadas, com os estudantes a realizarem os bloqueios e a lutarem por uma política de investimento na Escola Pública e melhores condições, mas também o fim da triagem socioeconómica que existem no acesso aos mais elevados graus de ensino.

Com um enorme contributo e solidariedade do Mouvement Jeunes Communistes de France (MJCF), a organização de juventude do Partido Comunista Francês, os estudantes têm, de forma corajosa, enfrentado uma enorme repressão policial, algo que não os tem amedrontado, não fosse a irreverência uma das principais características de uma juventude certa da sua causa.

Em comunicado, a MJCF «exige que estes abusos sejam investigados e que os responsáveis ​​por qualquer violência ilegal sejam punidos com todo o rigor da lei.» e que «os jovens continuarão a mobilizar-se até que a sua indignação e as suas reivindicações sejam ouvidas», garante.

Além desta garantia, a organização situa ainda as exigências estudantis: aumento de investimento na Escola Pública; o fim da competição entre jovens para o acesso aos estudos e a criação do número necessário de vagas; melhores salários e formação pedagógica genuína para os funcionários; menos alunos por turma; instalações escolares renovadas e adaptadas aos desafios climáticos, permitindo que os alunos estudem em condições decentes; e mais democracia nas escolas, tanto para alunos quanto para funcionários.

«Convocamos todos os estudantes do ensino médio a denunciarem quaisquer problemas que encontrarem em suas escolas. O Governo não silenciará a indignação legítima através da repressão. Exortamos os estudantes do ensino médio a não cederem à provocação, que visa apenas incitar a desordem, desacreditar o movimento e abafar suas reivindicações», pode ler-se na conclusão de um comunicado publicado no site do MJCF. 
 

Tópico

Contribui para uma boa ideia

Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.

O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.

Contribui aqui