O presidente da República Democrática de Timor-Leste, José Ramos-Horta, salientou a contribuição de Fidel Castro para o país, tendo-se referido ao líder histórico da Revolução Cubana como «Grande Amigo de Timor-Leste».
No Arquivo e Museu da Resistência Timorense, em Díli, Ramos-Horta, recordou esta terça-feira o encontro de Fidel em Kuala Lumpur (Malásia), em 2003, com o então Presidente da República, Xanana Gusmão, numa altura em que o país tinha acabado de conquistar a independência e enfrentava grandes necessidades, sobretudo nas áreas da saúde e da formação de recursos humanos.
«Fidel compreendeu essa realidade e Cuba respondeu com actos concretos», disse o chefe de Estado, citado pela agência Tatoli.
Ramos-Horta destacou o envio de centenas de médicos e profissionais de saúde cubanos para Timor-Leste, bem como a formação de jovens timorenses em Cuba, sublinhando que essa cooperação contribuiu para a formação de centenas de médicos timorenses e para o reforço da capacidade nacional de saúde.
O presidente timorense lembrou que a cooperação também abrangeu a educação, nomeadamente por via do programa de alfabetização cubano «Sim, Eu Posso», que ajudou milhares de timorenses a adquirir competências básicas de leitura e escrita.
«Cuba não nos deu apenas assistência; ajudou-nos a formar pessoas», disse, considerando que a formação de profissionais timorenses constitui um legado que ultrapassa qualquer momento político.
Ramos-Horta recordou ainda a presença de profissionais cubanos junto das populações e doentes em fases difíceis.
«A solidariedade não se mede apenas pelo que fazemos quando tudo está bem. Mede-se pelo que fazemos quando os outros atravessam momentos difíceis. Foi isso que Cuba fez por Timor-Leste», declarou.
Preocupação com a situação em Cuba
Ao intervir no evento relacionado com o centenário do nascimento de Fidel Castro (Birán, Holguín, 13 de Agosto de 1926), Ramos-Horta referiu-se à situação difícil que o país caribenho enfrenta, como resultado do recrudescimento da política hostil norte-americana para com a Ilha.
Lembrou a escassez de combustível, os apagões repetidos e as dificuldades no acesso a bens essenciais que o cerco energético e o bloqueio económico, comercial e financeiro impostos por Washington provocam – uma situação que, disse, está a afectar a população e a pressionar os serviços fundamentais, como a saúde e o abastecimento de água.
O chefe de Estado fez questão de destacar o legado de solidariedade internacional associado a Cuba, defendendo que deve inspirar todos os que trabalham na cooperação entre os povos, na saúde, na educação e na defesa da dignidade humana, refere a fonte.
Fidel reforçou a amizade com a região da Ásia e Oceânia
Uma nota da Embaixada de Cuba em Díli refere que a embaixadora do país antilhano, Alina Aldama, agradeceu aos participantes no evento e recordou o modo como o Comandante aprofundou os laços de amizade e solidariedade entre Cuba e a Ásia e Oceânia.
Fidel Castro previu que Timor-Leste se tornaria um dia o «Farol de Alexandria da Saúde na região», recordou a diplomata num evento em que estiveram presentes altos cargos do Estado e do governo timorenses, membros do corpo diplomático e representantes de agências das Nações Unidas.
Também participaram no acto membros da Associação de Amizade de Timor-Leste e Cuba, amigos de Cuba, representantes da Universidade Nacional, membros da Brigada Médica e estudantes da Escola Superior de Medicina, entre outros.
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