Ao intervir esta terça-feira num debate aberto no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o diplomata cubano alertou para a possibilidade de uma «catástrofe humanitária» na Ilha, no caso de os EUA insistirem nas suas políticas de agressão.
Rodríguez exortou o mundo a mobilizar-se para impedir esta situação, frisando que as medidas coercivas norte-americanas «matam e provocam sofrimento», e declarando que, se os EUA ordenassem um ataque a Cuba, passariam à história como «criminosos de guerra», indica a TeleSur.
Na sua intervenção no debate sobre a defesa dos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e o reforço do sistema internacional centrado na ONU, Rodríguez afirmou que não existem quaisquer justificações para «uma agressão ou actos desumanos coercivos», tendo solicitado aos EUA que «deixem Cuba viver em paz».
O diplomata citou o presidente da maior ilha das Antilhas, Miguel Díaz-Canel, ao reafirmar que «Cuba não é nem pode ser uma ameaça», e que «não é um inimigo dos Estados Unidos nem o quer», apesar das diferenças existentes entre ambos os países.
Neste contexto, o ministro cubano destacou os «profundos e fraternos laços com o povo e a cultura norte-americanos», tendo afirmado que Cuba continuará a receber viajantes e empresários norte-americanos, apesar das restrições impostas pelo seu governo.
Apesar da falta de avanços e de boa vontade por parte dos Estados Unidos, Cuba mantém-se disposta a prosseguir as conversações para abordar problemas bilaterais sem ingerências nos seus assuntos internos, disse o diplomata, tendo-se referido a áreas de cooperação como o combate ao terrorismo, ao narcotráfico e ao crime transnacional organizado, entre outras.
Acusação a Raúl Castro é «infame»
Sobre a acusação ao general Raúl Castro, o diplomata classificou-a como acto «moralmente infame» e «ilegalmente arbitrário» por abuso de jurisdição, afirmando que esta decisão, politicamente motivada, pretende enganar cidadãos norte-americanos e outros 30 anos depois dos factos, para que apoiem «uma aventura militar contra Cuba para conseguir uma mudança de regime».
Também denunciou o cerco energético imposto pelos EUA a Cuba, considerando-o um acto de guerra e genocídio, na medida em que sujeita a população cubana a condições que ameaçam a sua existência.
Defesa da paz e do direito internacional
O diplomata cubano enfatizou que o governo dos Estados Unidos «está numa posição de minar a paz e a segurança internacionais», e de violar o direito internacional e o direito internacional humanitário em relação a Cuba.
Neste sentido, Rodríguez reafirmou a importância do respeito pelo direito internacional e pelas normas básicas nas relações internacionais, de modo a evitar novos conflitos, e alertou que uma agressão militar a Cuba «provocaria um banho de sangue», com milhares de cubanos a morrerem na defesa da sua pátria e milhares de jovens norte-americanos arrastrados para a violência por uma política «imperialista, neofascista, de dominação, saque e conquista».
O diplomata cubano, que exaltou ainda a liderança da China na defesa da paz e da segurança internacionais, disse que o seu país apoia as iniciativas mundiais promovidas pelo presidente Xi Jinping com vista a enfrentar os actuais desafios por via de uma cooperação multilateral genuína e da construção de uma ordem internacional multilateral, assente na igualdade soberana, justa e democrática.
A reunião de alto nível foi presidida por Wang Yi, ministro dos Negócios Estrangeiros da China, país que detém a presidência rotativa do Conselho de Segurança e que promoveu o evento.
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