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Israel recrutou jornalista para abordar influencers no branqueamento do genocídio

Diana Duarte, ex-jornalista da RTP, Observador e SIC Notícias, ex-apresentadora do podcast A Minha Geração, é actualmente assessora da Embaixada de Israel. Parte do seu trabalho passa por angariar influencers para irem a Israel com tudo pago e produzirem conteúdo a branquear o genocídio. 
 

Créditos / RTP

Está a correr na internet um video de um jovem influencer conhecido como Kikoishot no qual é revelado pelo próprio que recebeu um convite da Embaixada de Israel em Portugal para visitar o país sionista. No vídeo em causa, que conta já com meio milhão de visualizações só no Instagram, o jovem revela que vários foram os influenciadores portugueses convidados para fazer uma viagem a Israel.

Kiko, ciente do que estava em causa recusou o convite: «Cada pessoa faz as suas escolhas e eu também fiz a minha. Ao contrário do que estes influenciadores podem achar, eles não foram convidados porque são muito bonitos, e muito lindos, e muito bons naquilo que fazem, e porque Israel é um Estado que adora dar. Não! Isto é uma questão de diplomacia política, isto é uma questão de limpar a imagem. Estão a tentar apagar ou apaziguar aquilo que nós sabemos que Israel tem feito já há bastante tempo», começou por dizer.

Enquanto mostrou imagens gráficas do sofrimento em Gaza, Kiko relembrou que «há imagens que nenhuma viagem de influenciadores pode apagar» e que «70 000 pessoas já foram mortas no genocídio que Israel está a fazer à Palestina, muitas delas crianças».

Além do vídeo em si, há algo que escapou à atenção de quase toda a gente. Para lá da explicação de Kiko e das razões que o levaram a recusar e a denunciar o convite recebido, o jovem criador de conteúdos mostrou também, no início do vídeo, o conteúdo do mesmo: «Olá Kiko! Sou a Diana Duarte assessora da embaixada de Israel. Pela pessoa que és e pelo papel que desempenhas na nossa sociedade na tua paixão pela vida, pelo activismo e intervenção social, gostaríamos de convidar-te para uma viagem a Israel e sua Pride Parade. É já no próximo mês de Junho. Tudo incluído numa estadia de uma semana. Estarão presentes pessoas de várias nacionalidades convidadas de outras embaixadas numa delegação internacional de uma semana por terras, sítios e gentes de Israel. Aceitas conversarmos hoje por via mais directa? Como podemos chegar até ti? Obrigada».

Foi desta forma, através de uma simples mensagem no Instagram, que Kikoishot foi abordado. A história, no entanto, não fica por aqui, e revela muito mais. Uma fonte próxima ao AbrilAbril confirmou que a pessoa que se apresenta como assessora da Embaixada de Israel em Portugal é Diana Duarte, ex-jornalista da RTP, Observador e SIC Notícias, ex-apresentadora do podcast A Minha Geração, programa que se dedicava a falar com alguns jovens, situados entre os 25 e os 30 anos, meticulosamente escolhidos, considerados «talentos, especialistas e criativos».

Diana Duarte entregou já a carteira de jornalista, porém, o seu exemplo revela a forma como Israel faz o seu recrutamento. Neste caso, a escolhida para assessorar o corpo diplomático israelita veio directamente dos quadros da RTP, detém uma bolsa de contactos de relevo graças ao programa que apresentou, e goza de um conhecimento aprofundado de um segmento etário jovem. Desta forma, a ex-jornalista consegue identificar e convidar influenciadores digitais de modo a que estes alinhem em ir até Israel, com tudo pago, e criem conteúdos que branqueiem o genocídio em curso.

A verdade é que Diana Duarte desapareceu subitamente da antena. A mesma co-apresentava o programa Prova Oral da Antena 3 e, em 2023, estreou-se à sexta-feira à noite como apresentadora do talk-show Nunca é tarde.

O investimento para dominar a narrativa

Esta táctica da Embaixada de Israel que, aparentemente, Diana Duarte assessoria, não é nova. Segundo uma notícia publicada no jornal Politico, nos EUA, Israel está a substituir as organizações de lobby americanas, como o Comité Americano-Israelita para os Assuntos Públicos (AIPAC), por agentes estrangeiros, empresas de relações públicas, influenciadores e campanhas digitais com o objectivo de moldar a opinião pública.

Segundo um relatório do Quincy Institute for Responsible Statecraft, um think tank norte-americano dedicado à política externa, Israel gasta milhões de dólares com influenciadores nas redes sociais e em campanhas de mensagens em massa. De acordo com as conclusões deste, o recurso a influenciadores permite que as mensagens políticas apareçam como opiniões pessoais ou conteúdo sobre estilos de vida, em vez de comunicações oficiais do Governo israelita.

Neste âmbito, através do seu Ministério dos Negócios Estrangeiros, Israel lançou o Projecto Esther uma operação de influência digital que paga a criadores de conteúdos e influenciadores nas redes sociais (como TikTok, Instagram e YouTube) a publicação de mensagens pró-Israel e a melhoria da sua imagem pública.

Em Outubro de 2025, o The Jerusalem Post dava conta que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, reuniu-se com um grupo de influenciadores, em Nova Iorque. Quando um deles lhe perguntou como recuperar o apoio a Israel, que tem vindo a diminuir, ele respondeu: «Temos de ripostar. Como ripostamos? Através dos nossos influenciadores. Acho que também deviam falar com eles, se tiverem oportunidade, com essa comunidade — eles são muito importantes.» Netanyahu acrescentou ainda: «Temos de lutar com as armas adequadas aos campos de batalha em que nos envolvemos, e as mais importantes estão nas redes sociais».

Em Portugal sabemos, através do Kikoishot, a forma como os influenciadores digitais são abordados. Sabemos também que para isso, a Embaixada de Israel conta com Diana Duarte e os contactos que esta agremiou através do seu podcast

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