O Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP) organizou este sábado, na província ocidental de Pinar del Río, um encontro internacional de solidariedade com Cuba, que se enquadrou nas comemorações dos 73 anos do assalto aos quartéis Moncada e Carlos Manuel de Céspedes, que este ano tiveram Pinar del Río como sede principal.
O encontro, que foi presidido pelo chefe de Estado cubano, Miguel Díaz-Canel, e Fernando González, presidente do ICAP, juntou dezenas de delegados provenientes dos Estados Unidos, da Austrália, do Estado espanhol, da América Latina e de vários países africanos, membros de organizações e brigadas internacionais que uniram as suas vozes em torno «da nobre causa da defesa da soberania e da livre determinação do povo cubano», refere a Prensa Latina.
«Este encontro acontece num momento muito particular, em que o inimigo intensifica as suas ameaças de agressão contra a Ilha e contra aqueles que expressam a sua solidariedade, razão pela qual é tão significativo que vocês estejam connosco hoje», disse González.
«O facto de vocês estarem aqui tem um peso enorme. Hoje, estão a tentar esmagar a autodeterminação dos povos com políticas agressivas e fascistas. Todos os dias, as sanções e as ameaças alimentam a possibilidade de uma agressão contra o país. Agradecemos a vossa companhia neste longo caminho que temos de percorrer», declarou por seu lado Díaz-Canel.
Cuba não está sozinha
Os participantes no evento destacaram que a Ilha não está sozinha na luta pela soberania e exigiram o fim definitivo do bloqueio e demais políticas coercivas contra o país caribenho.
Durante o encontro, os delegados partilharam mensagens de encorajamento, com representantes de várias organizações e jovens bolsistas estrangeiros formados no sistema educativo cubano a sublinharem que a defesa da Revolução Cubana é uma «responsabilidade moral», face às «campanhas hegemónicas e mediáticas».
Intervieram Rosemarie Mealy, da organização Carlota’s Warriors; Claudia de la Cruz, directora executiva dos Pastores pela Paz; José López, presidente da Associação Cultural José Martí e Etieron Edwards, jovem estudante camaronense da Escola Latino-americana de Medicina na província.
«Como habitantes deste mundo e pessoas de fé, é essencial para nós caminhar ao lado dos oprimidos. Entendemos que temos uma responsabilidade histórica e moral na luta pela soberania de Cuba», afirmou Claudia de la Cruz.
O espaço de solidariedade e diálogo em Pinar del Río reafirmou o espírito das comemorações que nestes dias têm tido lugar nas várias províncias de Cuba e no mundo para assinalar o 26 de Julho ou Dia da Rebeldia Nacional, cujo acto principal decorreu este domingo em Pinar del Río.
Díaz-Canel denuncia «genocídio friamente calculado»
Na ocasião, o presidente de Cuba acusou Washington de ter concebido e implementado uma política de máxima asfixia económica, ao intensificar, por via da imposição de um cerco energético e financeiro, o bloqueio que aplica à Ilha há mais de seis décadas.
Díaz-Canel lembrou as consequências destas medidas, como apagões com a duração superior a um dia, paralisação das indústrias e danos a dezenas de milhares de trabalhadores.
Neste sentido, refere a Prensa Latina, criticou a acção dos funcionários do Departamento de Estado norte-americano, que qualificou como «especialistas em redigir sanções, fazer listas, inventar pretextos», e acusou a administração dos EUA de aplicar um «genocídio friamente calculado».
Destacando o aumento do número de mortes por falta de medicamentos, as mais de 100 mil cirurgias que ficam por realizar devido aos apagões e à falta de combustível, Díaz-Canel afirmou que «a única ameaça contra a segurança na região, a paz mundial e a vida humana é a política de agressões que provoca fome, pobreza, migrações desordenadas, caos, instabilidade e dezenas de milhares de mortes em todo o mundo».
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