Arranca hoje o mundial, mas antes do pontapé de saída a competição organizada pela FIFA está a ser alvo de polémicas pelas acções dos EUA, um dos países que acolhe o evento desportivo. Isto tudo porque os receios que o país presidido por Donald Trump misturasse a sua política externa hostil com o desenrolar do torneio vieram a confirmar-se.
Tudo começou quando o futebolista iraquiano Aymen Hussein foi interrogado durante sete horas após chegar à cidade norte-americana de Chicago, na véspera do Campeonato do Mundo. De acordo com vários meios, o incidente ocorreu quando a selecção iraquiana chegou ao aeroporto e, enquanto o resto da equipa recebeu autorização para sair, o jogador em questão terá sido retido para uma «verificação adicional e um controlo de segurança».
Também nas últimas horas, num momento em que Donald Trump ameaça o Irão com bombardeamentos, os EUA estão a recusar vistos a membros da equipa técnica da sua seleção nacional iraniana, poucas horas depois de Washington ter confirmado que os jogadores iranianos tinham recebido autorização para viajar para o próximo Mundial.
As autoridades norte-americanas afirmaram que os vistos tinham sido emitidos para todos os jogadores e para a «equipa de apoio necessária» na sexta-feira, 10 dias antes do jogo de estreia do Irão em Los Angeles, mas que o Irão não teria permissão para «abusar deste sistema para introduzir terroristas nos Estados Unidos sob falsos pretextos».
Com o condicionamento feito pelos EUA, a equipa iraniana foi obrigada a transferir a sua unidade de treinos para o outro lado da fronteira, em Tijuana, no México. A selecção terá de enfrentar o absurdo logístico de se deslocar diariamente aos Estados Unidos para disputar os jogos do Grupo G em Inglewood e Seattle.
Se estes casos não fossem suficientes, o árbitro Omar Abdulkadir Artan, da Somália, foi proibido de entrar nos Estados Unidos. Sem provas reveladas, as autoridades norte-americanas afirmaram que a decisão se baseou em preocupações de segurança e alegaram que Artan tinha ligações ao Al-Shabaab, um grupo que há quase duas décadas trava uma guerra contra o Governo federal da Somália. À chegada ao seu país, o árbitro foi recebido pelo povo como um heroi e a UEFA já o nomeou para arbitrar a supertaça europeia que irá opor o PSG ao Aston Villa.
Questionado sobre este caso, mas numa conferência de imprensa em que os vários acontecimentos foram abordados pelos jornalistas, O presidente da FIFA, Gianni Infantino, pediu aos críticos que «acalmassem os ânimos»: «chill. relax», disse de uma forma leviana quando o momento levanta muitas preocupações.
O homem que deu a Donald Trump um prémio de paz em nome da FIFA ignorou, desta forma, os ataques aos direitos dos agentes deportivo e na sequência dos apelos à calma disse «tentamos sempre tornar a situação o mais positiva possível e encontrar soluções. Às vezes conseguimos, outras não» e que «não vivemos na lua, vivemos no planeta Terra».
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