Três meses e meio depois do início da agressão militar norte-americana e israelita contra o Irão, as partes alcançaram um acordo cuja assinatura oficial está prevista para a próxima sexta-feira em Genebra (Suíça), ao cabo de várias semanas de esforços diplomáticos e mediação internacional, informou na noite de domingo o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, de acordo com órgãos de imprensa iranianos.
Sharif, que serviu de mediador nas conversações indirectas, confirmou o «acordo de paz», que determina um cessar-fogo imediato e permanente em todos os cenários de confronto e prevê a realização de novas reuniões entre as partes para avançar com a implementação dos compromissos assumidos.
Por seu lado, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão confirmou a conclusão da redacção do memorando de entendimento relativo às negociações com Washington e, sublinhando «a superioridade face ao inimigo norte-americano-sionista», afirmou que o acordo prevê o fim das operações militares, incluindo na frente libanesa, bem como o levantamento do bloqueio naval imposto ao país persa.
O organismo agradeceu ainda a mediação de Paquistão e Catar, a cujos esforços atribuiu os avanços alcançados nas conversações.
Também o presidente norte-americano, Donald Trump, confirmou a conclusão do acordo, tendo anunciado o levantamento do bloqueio imposto aos portos iranianos.
Irão: «Desconfiança activa»
Antes, refere a TeleSur, já o vice-ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Kazem Gharibabadi, tinha anunciado que o texto do memorando estava finalizado e que seria firmado em Genebra, onde também terão lugar as novas reuniões entre as delegações de ambos os países para definir o rumo das futuras negociações.
Afirmando que estes factos não significam «confiar no inimigo» e que o memorando de entendimento «foi escrito com desconfiança activa», o diplomata explicou que, depois da assinatura oficial, será publicado o texto completo do documento.
Disse ainda que as conversações para alcançar um acordo integral terão início num prazo de 60 dias e destacou que Teerão irá manter mecanismos de supervisão para verificar a implementação dos compromissos assumidos por Washington.
Gharibabadi frisou que o início da fase de negociações nos 60 dias posteriores à assinatura oficial do acordo depende do cumprimento da parte norte-americana no que respeita ao fim da guerra, ao levantamento do bloqueio e à libertação de activos.
Nesse período de negociação deverão ser debatidos vários temas, incluindo o fim das sanções primárias e secundárias impostas pelos EUA ao Irão, a eliminação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU e da OIEA, a questão nuclear e um mecanismo para a reconstrução, indica a TeleSur.
O anúncio de um acordo inicial para pôr fim à guerra de agressão e retomar o tráfego de navegação no Estreito de Ormuz – encerrado e limitado como consequência da agressão de EUA e Israel ao Irão – foi recebido com alívio por governos em várias partes do mundo, mas tem sobre si a sombra da mais recente ofensiva israelita contra o Líbano, iniciada a 2 de Março deste ano.
Entretanto, refere a fonte, os preços do petróleo caíram para o seu nível mais baixo desde Março.
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