As autoridades israelitas lançaram um concurso para 627 novas habitações no colonato de Kochav Yaakov, na Cisjordânia ocupada, informou a Al Jazeera este domingo, citando a Comissão palestiniana de Resistência ao Muro e à Colonização (CRMC).
A Autoridade de Terras de Israel publicou o concurso para o projecto na quinta-feira da semana passada, que será construído em terras palestinianas localizadas a norte de Jerusalém ocupada, entre o posto de controlo de Qalandia e a cidade de Ramallah.
Kochav Yaakov faz parte de um conjunto de colonatos judaicos conhecido como «Binyamin».
A CRMC denunciou que este projecto foi concebido para «aprofundar a separação entre Jerusalém e os seus arredores palestinianos», bem como para reforçar as ligações com os colonatos próximos e as vias de acesso.
Israel estabeleceu 30 de Novembro como data-limite para as empresas de construção apresentarem propostas para o projecto, cuja aprovação inicial ocorreu em Abril de 2025 e que abrange 253,7 dunams de terra (25,37 hectares).
Citada pela Al Jazeera, a CRMC afirmou que o concurso marca a transição da fase de planeamento para a fase de «comercialização e implementação» da construção, com as novas unidades habitacionais a expandirem a área construída no colonato ilegal.
Acrescentou que a decisão reflecte o crescente investimento nas infra-estruturas económicas dos colonatos, e não apenas na habitação.
Aprofundamento da ocupação
Este ano, Israel acelerou a aprovação e a construção de colonatos na Cisjordânia ocupada. Os colonatos, considerados ilegais ao abrigo do direito internacional, constituem a base dos esforços israelitas para expulsar à força os palestinianos das suas casas e terras, e anexar os territórios palestinianos à chamada «Grande Israel».
Um parecer consultivo do Tribunal Internacional de Justiça de 2024 confirmou a ilegalidade da contínua ocupação israelita do território palestiniano, frisando que as autoridades israelitas têm a obrigação de cessar todas as novas actividades de assentamento e de evacuar todos os colonos dos territórios ocupados.
De acordo com a CRRC, no primeiro semestre deste ano as autoridades israelitas realizaram 12 concursos ilegais para colonatos, incluindo 1138 unidades habitacionais concentradas em cinco colonatos principais, além de uma série de concursos para zonas industriais, escritórios, lares de idosos e instalações turísticas.
O aumento da construção de colonatos ilegais este ano foi acompanhado por uma vaga de violência por parte dos colonos judeus contra a população palestiniana. Desde o início deste ano, organizações palestinianas registaram mais de 11 mil ataques na Cisjordânia ocupada perpetrados por colonos judeus, que habitualmente operam sob protecção do exército israelita.
Recentemente, o secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou «sérias preocupações» sobre a aceleração israelita do processo de legalização dos postos avançados agrícolas e de criação de novos postos na Cisjordânia ocupada.
Reafirmou que a criação de todos os colonatos, incluindo os postos avançados, são uma «violação flagrante do direito internacional» que carece de validade jurídica.
Contribui para uma boa ideia
Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.
O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.
Contribui aqui