Além de Montevideu, a Marcha do Silêncio realizou-se esta quarta-feira em dezenas de localidades do país austral, assinalando o 50.º aniversário dos assassinatos, perpetrados em Buenos Aires, de Zelmar Michelini, Héctor Gutiérrez Ruiz, Rosario Barredo e William Whitelaw, e evocando o desaparecimento do comunista Manuel Liberoff, a 19 de Maio do mesmo ano, igualmente na capital argentina, no âmbito da Operação Condor.
A marcha, organizada pela associação Mães e Familiares de Uruguaios Presos Desaparecidos desde 1996, teve este ano como lema «30 anos de marcha. Contra a impunidade de ontem e de hoje. Exigimos respostas. Onde estão?», continuando a exigir ao Poder Executivo que decrete a abertura definitiva dos arquivos militares que ocultam informação sobre os 205 desparecidos na última ditadura civil-militar (1973-1985).
A mobilização deste ano teve lugar pouco depois de a Instituição Nacional dos Direitos Humanos ter integrado oito novos casos na lista de desaparecidos, refere a Prensa Latina.
«É uma lista aberta», declarou na véspera da marcha a activista Alba González, numa conferência de imprensa realizada na sede principal da central sindical PIT-CNT, que, tal como outras organizações, também aderiu ao apelo de mobilização.
Exigências reiteradas e alertas para o negacionismo
Ao ler uma declaração da associação Mães e Familiares de Uruguaios Presos Desaparecidos, González denunciou a impunidade que persiste no país e exigiu acções concretas do executivo, reiterando o pedido feito ao presidente Yamandú Orsi para que ordene às Forças Armadas que entreguem toda a informação sobre o paradeiro das vítimas do terrorismo de Estado.
Saudando o enorme passo que representa o pedido unânime do Senado dirigido a todas as pessoas que tenham informação sobre o paradeiro dos desaparecidos, a associação sublinhou, ainda assim, que isso é pouco no caminho para que o Estado assuma a responsabilidade que tem na tortura, violação, assassinato e desaparecimento de pessoas.
Também alertou para os discursos negacionistas e revisionistas que voltam a ganhar peso no país e fora dele, com consequências graves, em que se destacam várias iniciativas visando flexibilizar as penas para os envolvidos em crimes contra a Humanidade, equiparando-os aos delitos comuns, «no âmbito de uma ofensiva que procura reinstalar a impunidade».
Na Marcha do Silêncio em Montevideu, destacou-se a elevada participação dos jovens. No final, no meio do silêncio imperante, foram lidos os nomes dos 205 desparecidos, com a multidão a gritar: «Presentes.»
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