O comércio de alimentação na província da Corunha viveu esta segunda-feira a terceira jornada consecutiva de greve, com os trabalhadores a reclamarem um acordo colectivo que consagre de facto avanços nos seus direitos laborais e salariais.
Segundo referiu a Confederação Intersindical Galega (CIG) no seu portal, a jornada de luta envolveu centenas de trabalhadores, que participaram nos piquetes organizados nas principais vilas e nas três cidades da província corunhesa (Ferrol, Corunha e Compostela), para repudiar a atitude de «bloqueio total» às negociações por parte do patronato.
Além da participação nos piquetes (sobretudo junto aos supermercados das cadeias Gadis e Froiz), os trabalhadores do sector realizaram ainda uma manifestação na Corunha, com o intuito de dar «maior visibilidade à luta que mantêm há meses por um acordo digno».
Atitude do patronato impede qualquer avanço
A jornada de greve desta segunda-feira é a décima primeira no sector, sempre com adesão «massiva», apesar de as empresas tentarem passar uma «imagem de normalidade», recorrendo a trabalhadores precários e encarregados, explica a CIG.
No entanto, a atitude de «imobilismo» da parte do patronato faz com que não haja avanços nas negociações, destaca a central sindical, que acusa a Gadis e a Froiz de recorrerem à «demagogia», nomeadamente ao usarem a sua condição de empresas galegas para fundamentar a recusa de melhores salários e condições aos seus trabalhadores, afirmando que, de outra forma, não seriam capazes de competir.
O representante da CIG na mesa das negociações, Roberto Pérez, denunciou que nas últimas quatro reuniões o patronato insistiu em «propostas de miséria», que nem sequer garantem a manutenção do poder de compra.
Referindo-se a outros pontos de desacordo, como o pagamento de diuturnidades ou a redução da jornada laboral, Pérez denunciou que as empresas querem implementar um maior controlo sobre as baixas e a sua duração.
Além disso, em pleno conflito laboral, a Gadis interpôs uma acção judicial contra a CIG, os demais sindicatos convocantes e o comité de greve, reclamando 1,2 milhões de euros pelos lucros que deixou de auferir nas greves, com grande adesão, realizadas entre 21 e 24 de Junho últimos.
Para o representante da CIG, é «incompreensível» a posição da Gadis na mesa das negociações, com uma persistente recusa em apresentar propostas que facilitem a aproximação das partes, «enquanto a empresa está em ruptura de stock há dois meses devido ao grande impacto que a greve provoca nos seus armazéns».
A luta vai continuar
Pérez destacou a resposta que os trabalhadores da província da Corunha têm dado, que classificou como «exemplar», num contexto de «manobras e pressões» por parte do patronato, e sublinhou que a luta vai prosseguir até que consigam alcançar um acordo justo.
Nos próximos dias, haverá plenários para definir o novo calendário de mobilizações, «pois os trabalhadores sabem que será um conflito prolongado e que haverá mais greves», disse.
Em simultâneo, esclareceu que as negociações se mantêm. «Quando nos chamarem, iremos negociar, porque queremos um acordo digno, mas cabe ao patronato apresentar uma solução», declarou.
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