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Cascais Miragem: ir para obras justifica o despedimento colectivo de 140 pessoas?

Em 2025, o Hotel Cascais Miragem foi comprado por cerca de 125 milhões de euros. As obras, num investimento superior a 80 milhões, são a justificação usada agora para despedir 140 trabalhadores, denuncia o SHS/CGTP.

Créditos / Cascais Miragem

«Não estamos perante o encerramento definitivo de uma empresa por falta de actividade. Estamos perante uma unidade hoteleira que será alvo de um significativo investimento, com vista à sua remodelação e posterior reabertura», denuncia nota do Sindicato de Hotelaria do Sul (SHS/CGTP-IN), enviada ao AbrilAbril. Como se justifica então que a «única solução apresentada» aos trabalhadores passe pelo despedimento colectivo de 140 trabalhadores, a que acrescem os 35 profissionais contratados a termo.

Em 2025, o Hotel Cascais Miragem Health & SPA (do grupo português GJC Hotels) foi comprado por uma parceria espanhola entre as empresas de investimento Ibervalles e a ARD Investment & Development. A compra (com um custo de 125 milhões de euros e financiamento do Novo Banco) vai ser complementada por um investimento de 80 milhões na reabilitação da unidade hoteleira, combinando a «excelência hoteleira com residências exclusivas sob um mesmo conceito de luxo e serviço excepcional pensado para os viajantes mais exigentes».

«É neste contexto de uma operação de enorme dimensão que a administração pretende justificar o despedimento colectivo com o encerramento temporário do hotel para a realização das obras», refere o sindicato, que não considera aceitável que, perante negócios envolvendo a movimentação de mais de duas centenas de milhões de euros, «sejam os trabalhadores e a segurança social a suportar os custos de uma decisão de natureza empresarial, quando existem soluções alternativas que permitem assegurar a manutenção dos postos de trabalho durante o período de encerramento e de realização das obras».

O SHS considera que a realização de obras de beneficiação do hotel não está prevista no Código do Trabalho como sendo uma razão admissível para avançar com um despedimento colectivo (não se enquadra num motivo de mercado, estrutural ou tecnológico). Por isso mesmo, a estrutura representativa dos trabalhadores pediu, «com carácter de urgência, reuniões com diversas entidades institucionais e governativas, com o objectivo de promover uma intervenção concertada que permita encontrar soluções alternativas ao despedimento colectivo e salvaguardar os postos de trabalho». 

Esta quarta-feira, a nova administração do Hotel Cascais Miragem Health & SPA vai reunir pela segunda vez com o sindicato, num encontro mediado pelo Ministério do Trabalho e a Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT). Enquanto decorre a reunião, os trabalhadores vão estar reunidos em plenário à porta da unidade hoteleira, às 16h. O SHS já fez chegar à Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), um pedido de acção inspectiva urgente.

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