Forças de ocupação e colonos israelitas mataram oito jornalistas palestinianos nos primeiros seis meses deste ano, período em que foram documentados 467 ataques a trabalhadores da imprensa na Faixa de Gaza e na Cisjordânia ocupada, revelou o SJP esta segunda-feira.
Os dados foram divulgados por Mohammed al-Lahham, presidente do Comité de Liberdades do sindicato, numa conferência de imprensa em Ramallah, na qual precisou que os casos documentados entre Janeiro e Junho incluem obstrução à cobertura jornalística, detenções, agressões físicas, uso de munições reais, gás lacrimogéneo e medidas judiciais contra jornalistas.
Mais de 41% dos casos (192) envolveram o bloqueio da cobertura ou a detenção de equipas de imprensa, o que, para Lahham, reflecte «uma política sistemática visando obscurecer o panorama mediático nos territórios palestinianos ocupados».
Ao referir-se aos oito jornalistas assassinados pela ocupação nos primeiros seis meses deste ano, o responsável informou que, desde Outubro de 2023, o número de trabalhadores da imprensa mortos subiu para 264.
O relatório apresentado regista também 27 detenções, 29 casos de disparos com fogo real, 78 incidentes envolvendo granadas atordoantes e de gás lacrimogéneo.
Documenta ainda dois feridos com fogo real, 14 agressões físicas, 16 ameaças com armas, seis ataques perpetrados por colonos e dezenas de casos de inalação de gás, refere o portal palinfo.com.
De acordo com os dados recolhidos pela estrutura sindical, Fevereiro foi o mês em que se registou o maior número de ataques (122 casos), seguido de Janeiro (109) e Junho (89). Em Maio registaram-se 55, em Março 53 e em Abril 39.
Ataques a jornalistas não são incidentes isolados
O presidente do SJP, Nasser Abu Baker, disse que o sindicato apresentou acções legais contra Israel em vários organismos internacionais, em particular no Tribunal Penal Internacional, tendo solicitado uma maior celeridade nas investigações, bem como o anúncio de medidas contra os responsáveis pelos «crimes» cometidos contra jornalistas palestinianos.
«Os ataques a jornalistas não são uma série de incidentes isolados, mas fazem parte de uma agressão que visa o direito ao conhecimento e à transmissão da verdade», declarou.
Entre 7 de Outubro de 2023 e o final de Junho de 2026, o SJP documentou 4127 ataques a jornalistas palestinianos, incluindo a destruição de 187 instituições de comunicação social e de 140 casas de jornalistas.
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