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|Espanha

Solidariedade com Cuba reforçada no Estado espanhol

O XVIII Encontro Estatal de Solidariedade com Cuba decorreu em Gijón (Astúrias), com balanços, debates, conferências e a forte denúncia da política agressiva de Washington em relação à Ilha.

Promovido pelo Movimento Estatal de Solidariedade com Cuba (MESC), o encontro decorreu de sexta a domingo, com a participação de 200 delegados e 47 organizações solidárias com a Ilha no Estado espanhol.

A iniciativa incluiu a realização de três workshops – um dedicado a projectos de cooperação para o desenvolvimento e campanhas de ajuda material para a ilha; outro sobre comunicação e guerra mediática; e um terceiro sobre as estratégias contra o bloqueio imposto pelos EUA ao povo cubano.

Desta forma, os membros do MESC discutiram as melhores formas de desenvolver o seu trabalho de apoio a Cuba, ao povo cubano e à Revolução, numa altura em que o estrangulamento económico imposto pela administração norte-americana é mais severo.

No espaço dedicado à ajuda material, foram apresentados alguns dados: desde o encontro anterior, celebrado em Málaga em 2024, foram efectuados 62 envios (por contentor e via aérea) com materiais de saúde, educativos, alimentos e outros, no valor de 4,43 milhões de euros.

Além disso, indica o portal cubainformacion.tv, nas campanhas de recolha de fundos para painéis solares destinados a centros de saúde e consultórios, conseguiu-se juntar 849 mil euros.

Conferências na Semana Negra de Gijón

Em destaque estiveram igualmente as conferências sobre Cuba realizadas no espaço da Semana Negra de Gijón, que contaram com a intervenção de personalidades convidadas ao XVIII Encontro Estatal.

Na primeira delas, «Cuba frente ao império. Internacionalismo, paz e resistência perante os EUA», participaram Javier Couso, activista e ex-deputado ao Parlamento Europeu, e Fernando González, um dos Cinco Heróis cubanos, deputado à Assembleia Nacional e presidente do Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP).

Javier Couso – refere a fonte – abordou a política imperialista norte-americana nas últimas administrações, incluindo as de Barack Obama e as de Donald Trump, e referiu-se à guerra híbrida contra Cuba, no âmbito da qual é hoje aplicado um bloqueio total, um «assédio medieval» à economia e à vida do povo cubano.

Couso, que insistiu na relação entre a situação sofrida por Cuba e as guerras impostas pelo imperialismo e o sionismo ao Irão, ao Líbano, à Síria e à Palestina, denunciou também o papel da União Europeia e referiu-se à forte corrente existente no seio das instituições europeias para romper de forma definitiva o Acordo de Diálogo Político e Cooperação com Cuba, em sintonia com a política de Washington contra Havana.

Medidas sem precedentes na tentativa de destruir a Revolução

Por seu lado, Fernando González explicou que EUA controlaram a soberania e a economia de Cuba até 1959, quando triunfou a Revolução, e que a actual administração norte-americana aposta tudo para voltar a esse cenário.

«O governo dos EUA recorreu a medidas extremas sem precedentes contra Cuba, apesar de ter tido sempre como propósito a destruição da Revolução Cubana», disse, destacando o completo estrangulamento da economia, o bloqueio aplicado a níveis nunca vistos e a inclusão de Cuba na «lista de países patrocinadores do terrorismo», que impede a Ilha de participar no sistema financeiro internacional, controlado pelos EUA, e bloqueia todas as transacções comerciais e bancárias.

Neste contexto, referiu-se também ao «bloqueio energético total» imposto a Cuba desde 29 de Janeiro e à nova ordem executiva, de 1 de Maio, com mais sanções e ameaças a bancos e empresas que realizem quaisquer transacções comerciais ou bancárias com Cuba.

González disse que isto é «desumano, imoral». «É um castigo colectivo a todo o povo cubano, para que o povo, nalgum momento, culpe as autoridades pelas dificuldades. Esta é a forma “democrática” de tentar derrotar a Revolução Cubana. O paladino dos direitos humanos é o que viola os direitos humanos de dez milhões de cubanos», afirmou o deputado.

«Longe de ser um Estado falhado»

O também presidente do ICAP abordou ainda a guerra mediática e nas redes sociais, financiada por fundos federais norte-americanos, «com o intuito de fazer crer aos cubanos e ao mundo inteiro que as penúrias não resultam da guerra económica, mas resultam da incapacidade dos governantes cubanos».

Sobre a alegação de Marco Rubio de que «Cuba é um Estado falhado», González disse que, «longe de ser um Estado falhado, Cuba teve capacidade para administrar o pouco que tem nos serviços de saúde, que actualmente se encontram em péssimas condições, mas existem».

«Uma outra sociedade no mundo teria entrado em colapso; um Estado que se preocupa com os seres humanos não é um Estado falhado. Não somos perfeitos, não estamos isentos de erros, mas no centro temos sempre o ser humano e a vida dos cubanos», declarou.

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