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Caos nos exames resulta da «reforma» que cortou 50% dos trabalhadores no Ministério

«Todas as semanas temos coisas que eram feitas por imensas pessoas e estão a ser redefinidas e, em alguns casos, eliminadas porque não era necessário», anunciou o ministro da Educação em Março. 2.ª fase dos exames já teve de ser adiada.

Fernando Alexandre, ministro da Educação, Ciência e Inovação do Governo PSD/CDS-PP, foi cabeça de lista da AD no distrito de Santarém, nas Legislativas de 2025. 

Créditos Miguel A. Lopes / Agência Lusa

É um exemplo clássico da mítica eficiência da gestão neoliberal. Em Março de 2026, o ministro da Educação anunciou uma «reforma profundíssima em todas as dimensões». Na sessão de abertura da conferência «Reprogramar o Trabalho — Uma conferência sobre pessoas, competências e Inteligência Artificial», realizada no Centro Cultural de Belém, Fernando Alexandre destacou a poupança de 50 milhões de euros anuais operada, a seu comando, no Ministério, resultado alcançado através do corte de 50% dos postos de trabalho.

O objectivo do ministro do Governo PSD/CDS-PP era o de «conseguir ter um sistema digitalizado e que faça uma efectiva gestão de recursos humanos. Dessa forma, nós vamos conseguir fazer as coisas de forma muito mais eficiente». Essa eficiência ficou à vista de todos aquando da realização dos exames nacionais, apenas uns meses depois – o caos gerado pela reforma de Fernando Alexandre já forçou o adiamento, por quatro dias, dos exames do secundário (para 20 de Julho) e da apresentação dos resultados, que só devem começar a ser divulgados a partir de 7 de Agosto.

O caso não fica por aqui. Num momento em que vários professores ainda não receberam as provas para corrigir, o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas (STFPSSRA/CGTP-IN) alerta que Directores das Escolas, Encarregados de Educação e trabalhadores que queiram contactar a nova Agência para a Gestão do Sistema Educativo (herdeira da Ex-DGAE , EX. IGEFE; Ex- DGEstE) não estão a conseguir receber «qualquer resposta» deste serviço. E é isto uma «reforma do Estado», lamenta o sindicato.

Um outro exemplo da desordem introduzida pela reforma de Fernando Alexandre é a extinção da Editorial do Ministério da Educação, «uma entidade com 49 anos de experiência na produção e distribuição de exames e outros materiais para vários organismos públicos». O novo organismo responsável pela produção de exames e encarregue da «tão afamada digitalização» dos enunciados preenchidos é a Imprensa Nacional – Casa da Moeda (INCM), «que não estava pronta para esta tarefa», denuncia o STFPSSRA.

«Este é o caminho da falsa modernização: a destruição dos serviços públicos». O ministro (+liberdade) Fernando Alexandre mais não fez do que empurrar para fora do Ministério da Educação «muitos trabalhadores com conhecimento e experiência acumulada durante décadas nesta área específica de apoio à Educação», com os resultados previstos.

Nas salas de aula, a Fenprof/CGTP corrobora a confusão provocada pelo Governo PSD/CDS-PP

Numa nota publicada pela Federação Nacional de Professores (Fenprof/CGTP-IN), a estrutura sindical elenca um conjunto alargado de problemas que os professores estão a enfrentar: «observam-se diversos atrasos no recebimento» dos exames, «envios incompletos, páginas em falta e um conjunto de problemas técnicos» que «se repetem de forma generalizada». «É particularmente grave que existam relatos de grupos de classificadores em que praticamente ninguém recebeu a totalidade das provas em condições adequadas», denuncia a federação.

Para além disso, «docentes aposentados, docentes de outras escolas e de disciplinas fora da sua formação foram chamados para a correcção» dos exames, que estão a ser digitalizados por trabalhadores da Casa da Moeda (que manuseiam os exames realizados por todos os alunos) convocados por mensagem e a a trabalhar várias horas extraordinárias para assegurar um processo que, supostamente, era muito «eficiente».

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