A Confederação Geral do Trabalho (CGT) da Catalunha denuncia o bloqueio das negociações por parte da administração municipal, que insiste em propostas como turnos divididos de 11 horas diárias e se recusa a equiparar os salários dos bibliotecários aos dos demais funcionários municipais, refere o portal diario-red.com.
A CGT também acusa o Município de Barcelona de intensificar uma «dinâmica de intimidação» aos trabalhadores do sector que participam nas mobilizações convocadas, referindo-se, nomeadamente, a advertências a duas trabalhadoras e delegadas sindicais, na semana passada, por parte da Guarda Urbana, à entrada Comissão de Presidência, Segurança e Regime Interior do Município.
De acordo com o sindicato, este episódio enquadra-se numa «escalada» de repressão contra os bibliotecários, recordando que, na sequência da jornada de greve de 5 de Junho, foram abertos inquéritos policiais, um dos quais por alegado «atentado à autoridade», depois de a Guarda Urbana ter usado bastões extensíveis.
Na comissão municipal, vários grupos apresentaram iniciativas no sentido de defender as condições de trabalho do pessoal das bibliotecas, encontrar uma saída negociada para o conflito e denunciar a resposta do executivo municipal.
Entre as reivindicações dos trabalhadores, assume destaque a exigência de eliminação das jornadas laborais que se podem prolongar até às 11 horas diárias, dificultando a conciliação entre a vida laboral e pessoal, tal como sublinhou a bibliotecária Irene Lameiro em declarações à TeleSur.
Por seu lado, o representante sindical da CGT Pau Solsona destacou a falta de pessoal e a impossibilidade de cobrir todos os turnos, que levou à deterioração dos serviços prestados e obrigou ao encerramento de várias bibliotecas ao meio-dia e às segundas-feiras de manhã.
Unidade dos trabalhadores
Na passada quarta-feira, os trabalhadores realizaram um plenário em que votaram por unanimidade a favor de manter a greve por tempo indeterminado – algo que o sindicato encara como uma demonstração de unidade face ao desgaste da administração e às negociações sem avanços.
A greve nas Bibliotecas de Barcelona começou de forma intermitente em meados de Abril e assumiu um carácter diário desde o final de Maio, indica o diario-red.com.
O sector bibliotecário público presta um dos serviços culturais mais relevantes à cidade – com uma rede que regista cerca de 22,6 milhões de visitas anuais e mais 14 milhões de empréstimos de livros e outros materiais.
Para os trabalhadores que sustentam este serviço público, é claro que só a luta pode melhorar as suas condições de trabalho, tratando-se um sector que, como alertou a CGT no início deste mês, é «afectado por uma situação endémica de falta de pessoal e de défice de investimento estrutural, no qual persistem deficiências estruturais históricas e condições de direitos laborais insuficientes».
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